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Crise Mitológica

Sei que fazer piada com a desgraça alheia não é nada legal, mas uma descontraçãozinha aqui outra ali não faz mal a ninguém. Recebi o besteirol abaixo por e-mail (não sei o autor), e achei que era a cara da nossa coluna sobre mitologia. Divirtam-se
CRISE NA GRÉCIA ALTERA A MITOLOGIA
1. “Hércules é demitido dos seus 12 trabalhos”
2. “Afrodite foi rodar bolsinha na esquina”
3. “Hades começa a vender suco de soja”
4. “Atenas entra em liquidação e muda seu nome para Apenas”
5. “Platão, de tanto andar com Sócrates, agora está na fila para transplante de fígado”
6. “Sem dinheiro para pagar uma diarista, Zeus muda o nome de seu lar de “Olimpo” para “Osujo”
7. “Multidão na Acrópole protesta para que Aquiles trate seu calcanhar no SUS”
8. “Medusa transforma pessoas em pedra e vai vender na Cracolândia”
9. “Acrópole é vendida e em seu lugar é inaugurada uma Igreja Universal do Reino de Zeus”
10. “Asclépio (deus da medicina) decide suspender o atendimento aos planos de saúde”
11. “Deusa Atenas é vista trabalhando como garçonete na Alemanha”
12. “Hércules, demitido, procura bico como segurança na casa de tolerância de Vênus”
13. “Narciso vende seus espelhos para pagar dívida do cheque especial”
14. “Zeus vende o trono para José Sarney”
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Imagem do site: http://www.wordchowder.com/Greek_Mythology.html
Atena – a deusa da sabedoria

Atena não poderia ser outra coisa que a deusa da sabedoria. Afinal, ela é a deusa que nasceu da cabeça de Zeus.
Ela é filha de Zeus e a deusa que foi sua primeira esposa quando ainda era jovem, a deusa Métis, aquela que o ajudou a salvar seus irmãos do estômago de Cronos. Tudo ia bem quando Gaia, anunciou a Zeus uma profecia: ele teria um filho que faria com ele o mesmo que ele fez com o pai, destronando-o. Esse perigoso deus, seria o segundo filho de Zeus com Métis. O primeiro era Atena, já no ventre de Métis, que seria uma deusa tão sábia e tão poderosa quanto Zeus.
Gaia previu que Atena seria boa filha e o ajudaria em suas tarefas mais do que qualquer outro deus. Porém o segundo filho seria ainda mais sábio e corajoso, porém cruel, ambicioso e destruiria Zeus. Para evitar tal destino, Zeus arquitetou um plano. Mandou chamar sua esposa Métis e conversa pra cá, namorinhos pra lá, a abraçou carinhosamente quando ela adormeceu, e a absorveu para dentro de si, a tornando parte dele (outra versão conta que eles brincavam de se transformar em animais, e quando Zeus se transformou em algo maior que ela, a engoliu. Mas acho a outra versão mais bonitinha).
Ao absorver a deusa, absorveu dela toda sua sabedoria e o poder de conhecer o bem e o mau. Assim, não havia mais perigo para Zeus. Só que ao absorver a deusa, Zeus também absorveu a filha que estava no ventre da mãe. Como sabemos que homens não podem dar à luz (graças a Deus, pois imagina o caos que seria), Atena tinha que sair de algum lugar. Um dia Zeus começou a sentir dores de cabeça incontroláveis. Imagina uma enxaqueca na intensidade da dor de um parto. Deve ser bem por aí, imagino. Desesperado com o sofrimento, Zeus ordenou que Hefesto desse uma martelada na cabeça dele. O deus coxo assim o fez e tchanan! Um clarão de uma estranha luz saiu da cabeça de Zeus e eis Atena. A deusa que nasceu da cabeça do deus dos deuses era uma linda jovem de olhos azuis, profundamente sábia, corajosa e forte. Usava uma túnica comprida e um elmo, e carregava consigo uma lança e um escudo.

Ela já chegou entre os deuses triunfante e majestosa e todos a admiraram imediatamente de tão encantados que ficaram com ela. Em agradecimento à recepção calorosa, Atena inclinou a cabeça a Zeus e aos demais deuses. E acreditando que sua aparência não era das mais agradáveis devido à sua armadura, retirou o elmo, e o escudo e os depositou, junto com sua lança aos pés de seu pai, dizendo esperar jamais ter que usa-los.
Zeus sorriu emocionado pelo gesto de submissão da filha que acabara de conceber de sua mente, e a partir daquele momento, Palas- Atena se tornou a filha predileta de Zeus. Palas significa “donzela” e Atena era assim chamada por haver decidido, assim como Ártemis, jamais se casar, sendo assim, independente e livre da sominação do homem. Apesar de ser excelente estrategista, Atena detestava as guerras e só usava suas armas quando extremamente necessário. Era muito poderosa, e por isso, era praticamente invencível. Era chamada de Atena-Nike pelas suas vitórias (Nike significa vitória). Ao fim de suas lutas, sempre depositava novamente aos pés do pai suas armas. E jamais contava vantagem sobre suas vitórias.

Era uma deusa humilde e se dedicava a diversos trabalhos, manuais ou intelectuais. Sempre tinha novas ideias para ajudar a humanidade de alguma maneira. Se foi Deméter que ensinou os homens a arar a terra, foi Atena que fez melhorias no sistema, e o homem passou a fazer seu trabalho nos campos com ajudas de animais, como bois, por exemplo. Logicamente, a humanidade passou a produzir mais alimento com as novas técnicas criadas por Athena.

Um dos seus trabalhos manuais preferidos era tecer e bordar em seu tear. Criava roupas para os deuses, e peças de tapeçaria com imagens de cenas gregas perfeitas. Seus trabalhos eram perfeitos, impecáveis e maravilhosos. Muitas mortais aprenderam com a própria deusa a tecer e bordar.
Mas uma mortal, chamada Aracne, princesa do reino da Lídia, se orgulhava de seus próprios trabalhos e por vaidade decidiu desafiar Atena. Bem, por mais justo e bom que um deus grego seja, não é nunca uma boa ideia desafiá-lo. Nunca acaba bem. Atena aceitou o desafio da princesa e se pôs a trabalhar ao lado dela. Atena teceu uma cena de deuses e mortais muito interessante e Aracne, muito da impertinente, teceu uma cena onde os deuses eram representados de maneira pejorativa, ou seja, a peça insultava todos os deuses. A obra era tecnicamente perfeita, mas Aracne precisava de uma lição. Atena destruiu a peça e Aracne se sentiu tão humilhada que tentou se matar enforcada por uma corda. Mas Atena a libertou e transformou em um inseto, determinando que ela deveria continar viva, tecendo como antes, porém pendurada por uma corda. E assim surgiram as aranhas.
Os símbolos de Atena são a Oliveira e a Coruja.
Ares – o deus da guerra

Mau, impiedoso, bárbaro e não muito inteligente. É assim que o filho de Zeus e Hera costumava ser definido. Daí pra pior na verdade. O mais odiado dos deuses, nem seus pais o suportavam. Nem mesmo seus pais. Ele era do tipo que plantava a discórdia e não suportava ver ninguém em paz. Ele tinha dois filhos, Medo (Fobos) e Terror (Deimos), que os auxiliava nas guerras, e contava com a ajuda da deusa Éris, que atiçava os homens uns contra os outros.
Só existia uma deusa que gostava dele. Era Afrodite, a deusa da beleza e do amor. Meio contraditório, afinal, se ela era a personificação do amor, ele era a personificação do ódio. Como dizem por aí, amor e ódio não são opostos, mas andam muito próximos um ao outro… enfim, não é algo que gostaria de discutir agora.
Ares só tinha uma qualidade (se é que pode ser chamada assim), era bonitão. Bronzeado, musculoso, parecia um herói em sua armadura. E Afrodite adorava um cara bonitão e forte. Como seu marido era o coxo Hefestos, adivinha quem ela elegeu por amante? Pois é.
Ares amava guerras sangrentas, morte e destruição. Entendia tudo de armas e tudo que estivesse relacionado a guerras. Menos sobre estratégia. A paixão dele era apenas a briga pela briga, o ódio disseminado, ele não conhecia coisas justas e adorava contar seus desagradáveis feitos. Aquele típico cara que se acha o máximo e não é nada além de uma montanha de músculos.

The Combate de Marte e Minerva por Jacques-Louis David Musee du Louvre, Paris - Atena derrota Ares e o humilha
Estratégias eram mais o campo de Atena. Apesar de ser a melhor estrategista do mundo, extremamente inteligente, detestava guerras e lutas e só tomava parte em último caso, ao lado dos justos. Ela e Ares se detestavam mutuamente. Por diversas vezes Atena, com seu brilhantismo, desarmou e humilhou eu meio irmão, que tinha um certo pavor dela.
O fato, é que Ares não se dava bem com nenhum dos deuses. Certa vez Hefestos preparou uma armadilha para pegar em flagrante Afrodite e seu amante. Os dois foram motivo de risada entre os deuses. Hefestos acabou soltando o casal, e óbvio que Ares guardou rancor. Esperou o momento certo para tentar se vingar e tentou atacar os deuses do Olimpo. Acabou sendo preso por dois gigantes, filhos de Aloeu, e ficou por um tempo desaparecido. O mundo ficou em paz durante esse tempo.
Zeus acabou por se preocupar com o desaparecimento do filho, e pediu que Hermes o encontrasse. O irmão do deus o acabou encontrando e ele foi liberto. Ele levou um tempo para se recuperar desta vergonha, mas tão logo recuperado, voltou a atormentar a todos.
Foi mal aê Ares, mas eu também não vou com a sua cara. Sorry. Não me fulmine.
Hefesto, o ferreiro dos deuses

Hefesto era um dos filhos nascidos da união entre Zeus e Hera. Enquanto esperava a criança, Hera com certeza era a mais feliz das deusas. A Rainha dos céus estava esperando o filho de seu amor, o senhor dos deuses. A criança só poderia se tornar o orgulho do Olimpo, correto? Errado. Este post está longe de ser uma história linda de dia das mães…
Acontece que Hefesto, quando nasceu, era uma criança aleijada e bastante feia. Na antiguidade, em varios povos, incluindo os gregos antigos, era comum – terrível e errado, mas comum – que crianças com deformidades e/ou aleijadas fossem descartadas. Eram rejeitadas mesmo e entregues à morte. Mas acontece que Hefesto era imortal por ser um deus e Hera, furiosa e insultada por seu filho não ser a perfeição que ela esperava, agarrou a criança pela perna mais curta e a fez voar pela janela do Olimpo.
O lançamento foi tão forte, que Hefesto voou por um dia e uma noite inteirinhos indo cair direto no mar. A nereida Tétis e a oceaníade Eurínome acolheram a pobre criança rejeitada e decidiram cria-la. Hefestos cresceu morando em uma linda caverna recoberta por safiras azuis. Apesar de feio e coxo, cresceu com um coração muito bom, era muito grato às deusas do mar por terem criado ele e era também muito trabalhador.
Apesar de morar no mar, sua verdadeira paixão era o fogo. Admirava os vulcões e a força que eles passavam, e então decidiu tentar trabalhar moldando metais com o calor do fogo e a lava. A medida que trabalhava nas forjas que montou nos vulcões, se tornava mais forte e mais engenhoso. Fez lindas jóias de ouro para presentear suas mãe adotivas e um dia Hera viu Tétis usando uma dessas jóias. Hera se encantou com o trabalho e perguntou quem teria sido o artista.
Acontece que Hefesto também decidiu fazer um presente para sua mãe verdadeira. Mas não era um presente de gratidão. Construiu um belíssimo trono de ouro adornado de pedras preciosas. Neste trono maravilhoso ele incluiu correntes invisíveis e depois o enviou de presente para a sua mãe. Assim que Hera sentou no trono, as correntes se mexeram até aprisioná-la.
Hera ficou furiosa e desesperada, não conseguindo mais se levantar do trono. Zeus achou que ela estava maluca, pois não conseguia ver as correntes. Quando foi tentar tira-la de lá, percebeu que algo muito duro prendia a deusa ao trono. Todos os deuses tentaram libertá-la mas foi em vão. Nem Ares com suas armas conseguiu e então Zeus decidiu enviar Hermes até a forja de Hefesto e pedí-lo que libertasse a mãe. Hermes não conseguiu persuadir Hefesto, então Ares decidiu trazê-lo à força.
Hefesto não se impressionou com as armas e fúria de seu irmão Ares, e revidou o ataque com um bastão de ferro flamejante, fazendo Ares voltar ao Olimpo de mãos abanando e uma senhora vergonha.
Dionpisio então se ofereceu para o trabalho, e prometeu voltar com o deus coxo para o Olimpo, sem brigas. Foi então até a forja de Hefesto, e conversa vai conversa vem, Dionísio e seu séquito de alegres ninfas e sátiros deram uma bela festa e embebedaram Hefesto com seu magnífico vinho.
Chegaram ao Olimpo cantando e dançando, e em sua bebedeira Hefesto decidiu soltar a mãe do trono e tudo foi perdoado. Mãe e filho se perdoaram mutuamente e Hefesto passou a morar no Olimpo com os demais deuses, voltando sempre à sua forja para trabalhar e, suas magníficas criações. Fez belas armaduras para Atenas, criava escudos, armas e coisas úteis aos deuses.
Zeus deu Afrodite a Hefesto como esposa, mas ela não ficou muito feliz com isso. Mas isso é uma outra história que depois eu conto para vocês.
Ártemis – a deusa da caça e da lua

Diana Hunting, by Guillaume Seignac
Como já contei aqui, Ártemis é irmã de Apolo e, portanto, filha de Zeus e Leto. A bela deusa, ao nascer, foi quem ajudou sua mãe a trazer Apolo ao mundo, e enquanto ele era o deus da luz – sendo associado mais tarde ao Sol, Ártemis era a deusa das noites enluaradas, mais tarde sendo associada à Lua.
Indomável, Ártemis preferia morar nas florestas junto com seu séquito de nereidas. Era a mais bela entre elas e se sobressaía sempre nas festas que faziam nas clareiras à noite. Cantava e dançava melhor do que todas e como grande rainha das florestas por todas era respeitada. E a obedeciam também.
Ela gostava de se sentir livre, e por isso decidiu não se casar, para não se subjulgar à vontade de nenhum homem ou deus. Ártemis gostava de esportes, e seu corpo era atlético e ela usava túnicas curtas. Sempre trazia um arco dourado e trazia também flechas que nunca erravam o alvo, como as de seu irmão Apolo. Era justa, corajosa e altiva, e defendia sua mãe e os deuses do Olimpo sempre que ofendidos. Seu animal preferido era o cervo, e estava em constante companhia deles.
Apesar de seu “voto de castidade” e de estar sempre acompanhada por seu séquido de nereidas e exigir delas a castidade e não se submeterem aos homens, Ártemis teve relacionamentos especiais com 2 homens.
Um deles, Hipólito, era como um irmão para ela. O jovem filho do herói Teseu, dedicava à deusa da caça uma enorme devoção, respeitando a castidade da deusa, e honrando-a. Se tornaram grandes amigos, e ele costumava caçar com Ártemis. Afrodite, porém, sentiu uma grande inveja daquela devoção toda e raiva de Ártemis por ela não se deixar apaixonar, esnobando os poderes da deusa do amor.
Para se vingar de Ártemis, Afrodite fez com que a madastra de Hipólito, Fedra, se apaixonasse por ele. Lógico que isso não poderia dar certo, e depois de muita fofoca, e principalmente porque Hipólito rejeitou a madastra por respeito e amor ao pai, o rapaz acabou morrendo. Acontece que Teseu era filho de Poseidon, e cobrou do pai que realizasse um dos três pedidos que lhe seriam concedidos. E em sua fúria acabou pedindo pela morte do filho.
Hipólito morreu livre de culpa e Teseu amargou fortemente aquela injustiça. Para amenizar a dor de todos Ártemis o colocou no céu, que formou a constelação chamada Inioco, o cocheiro.
O outro importante homem da vida de Ártemis, na verdade era um semi-deus. Chamava-se Órion e era filho de Poseidon. Um belo gigante caçador, podia andar pelas profundezas do mar, ou na superfície. Era um dos caçadores de Ártemis e era seu preferido. Ártemis se apaixonou por ele e quase chegaram a se casar.
Mas seu irmão, Apolo, não gostava daquela idéia. Vivia censurando a deusa, mas Ártemis, independente como era não lhe dava ouvidos. Um dia, Apolo vou que Órion andava pelo mar somente com a cabeça para fora d’água. Logo arquitetou um plano, e provocando a irmã, apostou com ela que ela não seria capaz de acertar com sua flecha aquele objeto negro que estava nas águas.
Ártemis, orgulhosa de suas habilidades de caçadora, e sem reconhecer que era Órion o tal “objeto” que estava no mar, mirou e acertou apenas uma flecha, certeira e mortal. Quando viu o corpo de Órion ser levado pelas ondas até a praia, se desesperou e chorou amargamente. Mas tudo que podia fazer era coloca-lo também entre as estrelas, e assim o fez. E foi assim, da profunda tristeza de Ártemis, que surgiu a constelação de Órion.
Deméter – a deusa da colheita

A bela deusa Deméter era uma das irmãs de Zeus. Uma das que foram engolidas por Cronos e salvas pelo senhor do Olimpo. Ela esteve ao lado dos irmãos na batalha contra os Titãs, e quando, finalmente estes foram derrotados, Deméter foi uma das deusas que foram habitar o Olimpo.
A guerra, porém, devastara a terra, e a humanidade estava morrendo de fome. Deméter que amava os prados verdejantes e os animais, ficou encarregada de cuidar das planícies e florestas do mundo. A deusa ficou feliz com sua nova tarefa, e rapidamente tudo aquilo que havia sido destruído deu lugar à verdes prados, árvores encheram-se de frutos e tudo se tornou bonito e cheio de vida novamente. Deméter era considerada a deusa da agricultura e da colheita, aquela que fornecia a terra fértil e alimento à humanidade. Seu principal símbolo era o trigo, que por muitas vezes trazia entrelaçado em seus cabelos.
Tudo se tornou próspero novamente, e a humanidade começou a aumentar lentamente. Nesse período, o homem ainda não havia aprendido a lavrar a terra, era selvagem e ainda morava nas cavernas, lutava contra animais ferozes e se alimentava de frutas que colhia e eventuais animais que conseguia caçar. Quando não havia mais nada o que comer, os homens se deslocavam, vivendo como nômades. Às vezes tribos lutavam entre si para disputar determinada terra.
Observando como as coisas andavam, Deméter ficou tentando procurar uma solução. Logo não haveria mais de onde tirar o alimento. Foi então que a deusa decidiu se disfarçar de camponesa e se pôs a trabalhar em um campo. Plantou, regou, adubou o campo repetidas vezes, mostrando para os outros o trabalho que fazia. Houve resistência, muitos não compreendiam o que ela fazia, e a achavam louca. Mas alguns foram observando e aprendendo e se puseram a trabalhar também. Não demorou muito e se viu o resultado, uma colheita abundante.
Assim, as tribos começaram a se fixar, e o homem deixou de ser nômade. Agora plantava, colhia e viva de seu próprio trabalho. E graças à Deméter, aquela que ensinou a agricultura aos homens, nasceram as primeiras civilizações.
Deméter também era uma mãe dedicada. Tinha uma linda filha chamada Perséfone, que foi raptada por seu irmão Hades, que caiu de amores por ela. Deméter sofreu muito com a perda da filha, que lhe era restituida apenas durante seis meses do ano. Mas sobre este rapto e como surgiram as estações do ano, eu conto para vocês mais tarde.
Hermes

Hoje é dia de falar do mais malandro dos deuses olimpianos. Fruto de mais uma das inúmeras escapadelas de Zeus, Hermes é filho de Maia e o senhor do Olimpo.
O esperto deus nasceu em uma caverna do Monte Cilene, na Arcádia e assim que viu a luz do dia começou a pregar peças nos outros.
A primeira vítima de suas brincadeiras foi seu próprio irmão, Apolo, de quem falamos anteriormente. Certa feita, o jovem deus, ainda criança, foi até Pieréia, onde Apolo cuidava do rebanho dos deuses do Olimpo e conseguiu roubar cinquenta novilhas levando-as para o Peloponeso.
Como era um deus e tinha lá seus poderes, fez com que os cascos das novilhas ficassem de trás para frente e fez sandálias para si mesmo com um solado invertido, assim quem visse as pegadas, iria achar que alguém estaria conduzindo o rebanho para a direção oposta do que realmente estava.
Ele, então, escondeu as novilhas em uma caverna, e feliz da vida, voltou para o seu berço (sim, ele ainda era uma criança). Quando a mãe o viu de volta perguntou onde ele havia estado, e o garoto contou o que havia feito. A mãe brigou com ele, alertando sobre as flechas de Apolo que jamais erravam o alvo.
Hermes, implicante, disse que não tinha medo de Apolo e que se ele fizesse algo, derrubaria o templo do irmão em Delfos. Claro que Apolo descobriu que fora roubado, decidiu seguir as pegadas, mas estas o levavam para o lado oposto. Furioso, consultou um oráculo que indicou que Hermes havia levado as novilhas para uma caverna próxima a Pilos. Apolo foi até lá, mas nada encontrou, pois não chegou a entrar na caverna achando que elas haviam sido levadas dali, por causa das pegadas invertidas.
Foi então até Cilene, onde encontrou Hermes em seu berço e ordenou que o irmão dissesse onde estavam as novilhas. O menino, procurou agir como uma criança comum respondeu, se fazendo de inocente, que nada sabia sobre aquilo.
Apolo ficou possesso e levou o molequinho até Zeus, no Olimpo, onde exigiu que dissesse a verdade. Hermes, mesmo diante de Zeus foi capaz de dizer que não sabia de nada, mas seu pai, sabia que estava mentindo, e mandou que devolvesse a Apolo as novilhas.
Hermes o levou até onde estavam, e Apolo mesmo assim estava furioso por ter sido enganado por um bebê. Mas Hermes, malandro como era, pegou uma lira que ele mesmo havia construido usando casco de tartaruga e cordas, e começou a tocar uma bela canção.
Apolo era deus da música, e por isso ficou impressionado com o instrumento improvisado. Hermes, por sua vez, como pedido de desculpas deu ao irmão aquela interessante lira. Apolo perdoou a brincadeira e os dois acabaram se tornando grandes amigos, como irmãos devem ser. Apolo, acabou deixando com Hermes as novilhas, como um sinal de paz.
A primeira malandragem de Hermes teve um final feliz. Mas não foi a última. Ele adorava pregar peças, chegando até a esconder o tridente de Poseidon uma vez. Em outra vez roubou a espada de Ares e noutra escondeu o cetro de Zeus.
Uma das brincadeiras foi aquela que vimos mais ou menos no filme de Percy Jackson e o ladrão de raios. Uma vez, Hermes achou que seria divertido roubar os raios do pai, mas a brincadeira não deu certo. Oa raios queimaram suas mãos e começou a trovejar e relampejar por todos os lados. Zeus, obviamente, ficou furioso, e Hermes acabou passando uma grande vergonha com essa pegadinha.
Mas ele também usava de sua malandragem para o serviço do bem e assim fez em várias ocasiões para ajudar seu pai. Por ser muito esperto e muito ágil, foi eleito o mensageiro dos deuses. Muito rápido, possuía asas nos calcanhares, podendo se movimentar muito rapidamente. Usava também um chapéu com asas. Gostava de pessoas espertas e por isso era o patrono dos mercadores, protegia os pastores. Como gostava de esportes, também era patrono dos atletas e em todas as pistas de corrida existiam estátuas do deus. Protegia também os viajantes.
Ele era o tipo de cara malandro, porém boa gente. Quase como um carioca, sabe? Cheio de bom humor, benevolência e aquele quê de esperteza que o faziam ser um dos mais queridos deuses do Olimpo.



