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Moda dos anos 60

 

Pela primeira vez na história da moda, o foco principal foram os adolescentes. Foi a década da rebeldia, isto sem dúvidas, e a busca pela renovação constante e quebra de paradigmas faziam com que a moda dificilmente conseguisse acompanhar o ritmo das mudanças e os desejos dos jovens.

As saias se encurtaram de maneira vertiginosa, se tornando mais curtas que jamais estiveram. Foi em 1964 que surgiu a minissaia, tão adorada pelas brasileiras até os dias de hoje. Foi a estilista Mary Quant que a lançou e a combinação botas + minissaia foi ideia do estilista francês André Courrèges. Sem dúvidas este foi o simbolo dos anos 60 junto com a margarida de plástico com a qual Mary Quant enfeitou sua moda. A margarida simbolizava o direito à paz, que tomou força principalmente na década seguinte, adotada pelo movimento do flower power promovido pelos hippies.

A mini saia

Enquanto na década de 50 os quadris se transformaram no foco erótico através do corte inteligente sobre eles, as roupas da década de 60 estabeleceram uma nova tendência. Sua modelagem era bastante geométricas, sem muita fluidez, quase duras mesmo. Em compensação, o apelo erótico das roupas dos anos 60 estavam no quanto desnudavam o corpo: além das minissaias (jamais antes as saias chegaram à altura das coxas), os decotes se aprofundaram e algumas vezes blusas podiam ser transparentes. A roupa de baixo foi adaptada à essas mudanças, as calcinhas ficaram menores para serem usadas com as minissaias saint-tropez, malhas justas passaram a ser usadas no lugar das meias finas e os sutiãs usados eram modelos mais naturais.

O clima era também um tanto futurista, com tendências baseadas em ficção científica. Viagens ao espaço já eram feitas e foi no ano de 1969 que Neil Armstrong pisou na lua. “Um pequeno passo para o homem, mas um grande passo para a humanidade.” Enquanto isso, na moda, Couregès, já em 1964, criou uma colação de primavera baseada na era espacial. Roupas brancas, em quadrados, botas de cano alto. Já Paco Rabanne chocou incorporando às suas criações o metal e o plástico. Mary Quant lançava suas roupas extremamente práticas, simples e versáteis. Modelos em xadres, flanela listrada ou cinza. Fora a já citada minissaia que foi um sucesso mundial em 1965.

 

 

Muitos foram os jovens estilistas a surgirem na década de 60, e cada um tinha seu estilo próprio. Os tecidos já apresentavam uma variedade enorme. Além das fibras naturais, as sintéticas se tornaram populares no mercado. Eram mais fáceis de cuidar, muitas vezes dispensando o ferro de passar, além de serem muito mais baratas.

"Mondrian", outono 1965, Yves Saint Laurent

Literalmente, a cara da década de 60 foi a da modelo Twiggy. E o corpo também. Olhos enormes e bem marcados, longas pernas magras, seios pequenos que algumas vezes apareciam furtivamente atrás de blusas transparentes, Twiggy – cujo nome significa raminho fino – foi a primeira modelo a se tornar um ídolo das massas. Tipo a Gisele Bundchen da década de 60. Só que Twiggy foi pioneira. Com 16 anos começou a brilhar e três anos depois já havia ganho dinheiro suficiente para ser considerada rica e se aposentar. Ela era parada nas ruas pelos seus fãs.

 


Muito mais aconteceu neste período, e as mudanças foram muito frenéticas. Uma atrás da outra, coisas acontecendo ao mesmo tempo. Antes, tudo parecia parado e muito igual. A moda e a sociedade seguiam padrões específicos e determinadas regras que todos copiavam. A década de 60, foi a década em que a moda começou a ter uma variedade enorme de possibilidades e praticamente tudo passou a ser permitido. Foi um período de verdadeira revolução.

 

A feminilidade dos anos 50

Depois dos árduos anos de guerra, nada mais natural para as mulheres do que resgatar a feminilidade quase perdida em meio a tanto militarismo e restrições.

Os anos 50 foram a última grande década do vigor da alta costura, antes do prét-a-porter tomar conta do mercado, deixando a alta costura para ocasiões especiais, digamos.

Nesta década, a silhueta predominante fora aquela lançada por Dior em 1947. Cintura no lugar, bem marcada e saia rodada e volumosa. Os vestidos/saias de uso diurno tinham o cumprimento que iam até logo abaixo dos joelhos. Em contrapartida os vestidos de noite eram longos e extremamente luxuosos.  Existia neles uma tendência à ostentação perdida nos anos de guerra. Os vestidos de festa poderiam ser tomara-que-caia, acompanhados de casacos de pele, colares de pérolas, ou jóias luxuosas, luvas compridas.

 

 

No dia-a-dia, ainda era bastante apreciado o uso de chapéus, geralmente pequenos, como casquetes, mas algumas vezes os mais amplos eram também usados. Eram muito mais simples do que aqueles usados durante a belle époque, mas considerados de extrema elegância. Era um período de beleza o otimismo, que se via nas roupas, objetos e decoração das casas.

Mulheres agora queriam ser mimadas e protegidas, voltavam a ser donas de casa e os homens voltariam a prover o que lhes era necessário. Existiu esta necessidade de fazer com que os papéis de homens e mulheres fossem bem definidos, e por isso, a mulher voltaria a cuidar do lar, de seu marido e seus filhos, evidenciando sempre a sua feminilidade. É interessante ver esse aspecto discutido no filme Mulheres Perfeitas (The Stepford Wives) em 1975, que ganhou uma nova versão com Nicole Kidman em 2004 enfatizando a estética supostamente perfeita dos anos 50. No filme, existe uma evidente crítica à escravização que uma sociedade machista podia (e ainda hoje pode) proporcionar às mulheres.

Vale a pena, porém, prestar atenção ao figurino do filme, que retrata muito bem como homens e mulheres costumavam se vestir na década de 50, bem como os costumes da época.

Anos 40 – A moda e a Segunda Guerra Mundial

Tempos de Guerra: A saia-calça para facilitar a utilização de bicicletas

Após uma década difícil de crise, as coisas pioraram ainda mais com o início da Segunda Guerra Mundial em 1939. Considera-se o ponto inicial da guerra como sendo a invasão da Polônia pela Alemanha Nazista em 1 de setembro de 1939 e subsequentes declarações de guerra contra a Alemanha pela França e pela maioria dos países do Império Britânico e do Commonwealth.

A Guerra durou de 1939 a 1945, envolvendo a maioria das nações do mundo organizadas em duas alianças militares opostas: os Aliados e o Eixo. Contou com mais de 100 milhões de militares e os principais envolvidos dedicaram toda sua capacidade econômica, industrial e científica a serviço dos esforços de guerra, deixando de lado a distinção entre recursos civis e militares. Ocorreram muitos ataques contra civis, incluindo o Holocausto e a única vez em que armas nucleares foram utilizadas em combate, foi o conflito mais letal e triste da história da humanidade, com mais de setenta milhões de mortos.

Em tempos assim, como se pensar em algo tão “trivial” como a moda? As pessoas estavam preocupadas em sobreviver, escondendo-se em abrigos, vivendo em constante tensão e medo. Moda era a última das preocupações, mas, períodos assim pediram por novas mudanças no modo de se vestir.

Mais uma vez, com os homens nos campos de batalha, as mulheres tiveram de mostrar sua capacidade de superação de tempos difícieis. Durante a Primeira Guerra muitas começaram a trabalhar, e agora não seria diferente. A mão-de-obra ligada às confecções de roupas se tornaram limitadas, obviamente, e o período era de restrições.

 

Até mesmo Madeimoselle Chanel, que mantinha um grande sucesso desde a década anterior, fechou seu atelier e viajou discretamente para o sul, enquanto a França se via tomada pelos combates. Chanel só reabriu seus ateliêrs com o fim da guerra, mantendo aberta apenas sua butique da Rue Cambon, onde os soldados alemãs vinham se abastecer de nº 5 (que já havia sido lançado e era um grande sucesso).

 

A alta costura da época se encarregou de manter o figurino das madrinhas de guerra (mulheres que se encarregavam de animar os combatentes com presentes e cartas) austero e elegante. Porém a falta de materiais disponíveis levou a um inevitável racionamento – as regras de racionamento, impostas pelo governo, que também limitava a quantidade de tecidos que se podia comprar e utilizar na fabricação. A escassez de tecidos fez com que as mulheres tivessem de reformar suas roupas e utilizar materiais alternativos na época, como a viscose e as fibras sintéticas.

Os cabelos se tornaram mais longos que na década anterior, devido à falta de cabelereiros – afinal a vida não corria seu curso normal – e as mulheres passaram a prender os cabelos com grampos, ou modelá-los em cachos, utilizando também lenços nos cabelos. A guerra mudou completamente a estrutura da indústria da moda. Durante a guerra, Inglaterra e Estados Unidos não podiam se inspirar em Paris no que tange à moda. Os estilistas parisienses haviam perdido sua liberdade de expressão e criação, além de muitos tecidos não serem mais encontrados no mercado ou se tornado muito mais caros como a seda e a renda por exemplo.
Durante a Ocupação as roupas das parisienses se tornam mais pesadas, sérias, e as solas dos sapatos também. Calçados com sola de madeira começam a ser produzidos. É o período que os tamancos usados por Carmem Miranda fazem grande sucesso.

A exuberante e alegre Carmem Miranda levava alegria às massas.

Durante a guerra, o chamado “ready-to-wear” (pronto para usar), que é a forma de produzir roupas de qualidade em grande escala, realmente se desenvolveu. Através dos catálogos de venda por correspondência com os últimos modelos, os pedidos podiam ser feitos de qualquer lugar e entregues em 24 horas pelos fabricantes.
Sem dúvida, o isolamento de Paris fez com que os americanos se sentissem mais livres para inventar sua própria moda. Nesse contexto, foram criados os conjuntos, cujas peças podiam ser combinadas entre si, permitindo que as mulheres pudessem misturar as peças e criar novos modelos.
A partir daí, um grupo de mulheres lançou os fundamentos do “sportswear’ americano. Com isso, o “ready-to-wear”, depois chamado de “prêt-à-porter” pelos franceses, que até então havia sido uma espécie de estepe para tempos difíceis, se transformou numa forma prática, moderna e elegante de se vestir. – Almanaque Folha

Paris é libertada em 1944 e alegria invadiu as ruas da cidade. Em 1945, foi criada uma exposição de moda, com a intenção de angariar fundos e confirmar a força e o talento da costura parisiense. Em 1947, o estilista francês Christian Dior, em sua primeira coleção, surpreendeu a todos com suas saias rodadas e compridas, cintura fina, ombros e seios naturais, luvas e sapatos de saltos altos. O sucesso imediato do seu “New Look”, como a coleção ficou conhecida, indica que as mulheres ansiavam pela volta do luxo e da sofisticação perdidos. O “New Look” se tomou o padrão da década que estava por vir, sobre a qual falaremos numa próxima vez.
Até lá ;)

Anos 30 – tempos de crise e o glamour de Hollywood

Se os anos 20 foram marcados por uma certa androginia, os anos 30 trouxeram a feminilidade de volta. Os anos 20 foram leves e alegrem em comparação com os anos 10 e 30. Afinal, foi um período marcado pelo alívio do fim de uma grande e traumatizante guerra e não se tinha ideia do que estava por vir.

Em 1929 as coisas pioraram outra vez. Foi em outubro deste ano que uma Grande Depressão, também conhecida como a Crise de 1929, atingiu as bolsas de valores de Nova Iorque, a New York Stock Exchange, fazendo valores de ações caírem drasticamente. Assim, milhares de acionistas perderam, da noite para o dia, grandes somas em dinheiro. Essa quebra na bolsa de valores de Nova Iorque piorou drasticamente os efeitos da recessão já existente e seus efeitos foram sentidos no mundo inteiro.

Nestes momentos de crise, a rebeldia dos anos 20 é deixada de lado e a silhueta feminina volta a ser como antes. A cintura volta ao lugar (não era excessivamente apertada por espartilhos como no século anterior, mas as curvas voltam a ser valorizadas) as saias se tornam longas novamente e os cabelos voltam a crescer.

Os seios, que na década de 20 foi escondido ao máximo, também voltaram a ter forma. As mulheres então passam a recorrer ao sutiã e a um tipo de cinta ou espartilho flexível. As formas eram marcadas, porém naturais.

A ênfase não são mais as pernas de fora. Agora o que está em evidência são as costas nuas em decotes generosos, desnudadas até a cintura. Até os vestidos para uso diurno possuíam algum tipo de abertura nas costas e era comum o uso de bolerinhos. As saias eram justas nos quadris, revelando, pela primeira vez na história, o formato do bumbum.

Glamouroso vestido dos anos 30 - costas nuas

Obviamente, em tempos de crise, materiais mais baratos passaram a ser usados e muitas das moças costuravam suas próprias roupas. Curiosamente,  Hollywood foi responsável por uma grande glamourização dos costumes da época, difundindo a moda de então.

Foi a era das divas Katharine Hepburn, Marlene Dietrich, Greta Grabo e Jean Harlow. As deusas do cinema americano eram sedutoras e glamourosas em seus modelos originais, sedutores e fotogênicos. Nas telas os materiais usados eram luxuosos, como peles, musselines, lantejoulas e etc. Os tecidos estampados eram raramente usados. Os cortes dos trajes eram simples, porém valorizando o corpo das atrizes: decotes profundos deixando à mostra o colo, transparências e plumas.

Bastante interessante foi a popularização da prática de esportes e dos banhos de sol. Nesta década já se sabe da importância de tomar sol e então as roupas de banho que antes eram extremamente comportadas, se tornam mais curtas e com decotes.

Alguns modelos novos de roupas surgiram com a popularização da prática de esportes, como o short, que surgiu a partir do uso da bicicleta. Os estilistas também criaram pareôs estampados, maiôs e suéteres. Um acessório que se tornou moda nos anos 30 foram os óculos escuros. Eles eram muito usados pelos astros do cinema e da música. - Almanaque Folha

O chapéu ainda costumava ser muito usado e os sapatos de luxo tiveram um destaque especial nesta década. Em 1935 o italiano Salvatore Ferragamo lança sua marca que viria se transformar em um dos impérios do luxo italiano. Com a crise que também atingia a Europa, Ferragamo começou a usar materiais mais baratos, como o cânhamo, a palha e os primeiros materiais sintéticos.

Foi neste período também que o prêt-à-porter começa a surgir. O termo não era ainda usado, mas as botiques surgiam trazendo consigo modelos prontos para vestir.

As crises estavam longe de terminar e no final dos anos 30, a Segunda Guerra Mundial estoura na Europa no ano de 1939. Mais uma vez a moda seria afetada pelos tempos de guerra, que também traria influências sobre o comportamento da sociedade da época. Muitos estilistas fecharam suas maisons ou se mudaram da França para outros países. As roupas mudariam bastante, apresentando uma certa linha militar e saias passariam a vir com abertura lateral, para facilitar o uso de bicicletas. Veremos isso com maiores detalhes em um próximo artigo. Até lá ;)

A moda da década de 20

Antes do início da Primeira Guerra Mundial,  a moda já estava sofrendo algumas mudanças bastante significativas. Porém, um evento desta magnitude fez com que mudanças radicais acontecessem na sociedade. Nada mais seria como antes, muitos aristocratas perderiam seus lugares na sociedade, automóveis começam a tomar lugar das carruagens, os cabelos femininos perdem o volume e ganham cortes curtos e os nada práticos espartilhos saem de cena.

Os tempos eram definitivamente outros, e a mulher já começava a tomar seu lugar na sociedade como  trabalhadoras e o numero de homens reduziu significativamente devido as baixas de soldados durante a conflito mundial.

Livres dos espartilhos, a silhueta se torna tubular. Nada mais de cintura marcada, e curvas acentuadas. Era como um grito de liberdade feminino. Há uma certa tendência à uma estética andrógina, e quando há alguma referência à cintura, ela se encontra mais abaixo, na altura dos quadris, como um mero adorno.

Se durante a guerra as saias começaram a perder comprimento, em 1925 elas encurtaram significativamente para escândalo dos mais conservadores. Agora cobriam apenas os joelhos. Nos EUA chegaram a ser elaboradas leis contra as tais saias. Mas a verdade é que os vestidos mais leves, soltos e curtos eram perfeitos para a febre da época: o Charleston. A dança, com seus movimentos frenéticos, jamais poderia ser executada por moças de espartilho, por exemplo. O Jazz era a música do momento, e a cultura negra ganhava espaço.

Os chapéus diminuíram, e o modelo preferido era o cloche, com o qual era praticamente impossível manter os cabelos longos e volumosos. Os cortes femininos passaram a ser curtíssimos, e devido a eles, moças podiam ser facilmente confundidas com rapazes novos das escolas. O penteado tinha o nome de la garçonne. A única coisa que diferenciava as moças dos rapazolas eram os lábios pintados de cor carmim, em formato de coração e as sobrancelhas marcadas a lápis. Esta era a maquiagem da época.

Chanel

A década de 20 foi da estilista Coco Chanel, com seus cortes retos, capas, blazers, cardigãs, colares compridos, boinas e cabelos curtos. Durante toda a década Chanel lançou uma nova moda após a outra, sempre com muito sucesso. – Almanaque Folha

As moças não usavam suas novas saias curtas com a perna totalmente à mostra, usavam meias-calças no tom da pele, o que dava apenas a impressão de pernas nuas, em estar, e ainda assim escandalizaram. Obviamente os fabricantes de meias de seda se beneficiaram desta mudança na moda, porém os fabricantes de tecido se sentiam prejudicados com o encurtamento das saias. Isto significava a utilização de menos tecido para fazer as roupas e por isso houveram tentativas de alongar novamente as saias.

Estas tentativas obtiveram um relativo êxito nos vestidos de noite. Relativo, pois, as saias continuaram curtas, mas às vezes traziam uma sobre-saia de gaze, ou se acrescentevam painéis mais longos nas laterais. E durante um ano se aderiu ao uso de vestidos curtos na frente (batendo na altura dos joelhos) e bastante longos atrás, chegando a arrastar no chão.

O período era de mudanças também no campo das artes, surgindo a Art Decó. Art Déco foi um movimento que se manifestou na arquitetura, nas artes plásticas, no design gráfico, e no design industrial e tinha como principal característica um estilo simples, e mais geométrico, diferente da Art Noveau que era mais rebuscada.

Importante ressaltar que no Brasil, em 1922 se deu a Semana de Arte Moderna, realizada por intelectuais, como Mário de Andrade e Tarsila do Amaral, levou ao Teatro Municipal de São Paulo artistas plásticos, arquitetos, escritores, compositores e intérpretes para mostrar seus trabalhos.

A Semana de Arte Moderna foi o grande acontecimento cultural do período, que lançou as bases para a busca de uma forma de expressão tipicamente brasileira, que começou a surgir nos anos 30.  O evento também influenciou a moda do período que foi bem retratado no figurino das novelas O Cravo e A Rosa e Chocolate com Pimenta, pelos grafismos das estampas das roupas da personagem Catarina, por exemplo.

A década de 1930 traz de volta os vestidos longos e a cintura no lugar, mas isso será abordado mais adiante. Até a próxima ;)

A Moda e a Primeira Guerra Mundial

Moda e guerra não combinam e disso todo mundo sabe. Guerra é um período de extremo sofrimento que levam a profundas restrições e a última coisa em que se pensa é em moda. E, por esta mesma razão, que a maneira de vestir daqueles que sobrevivem nestes momentos de extrema dor, é tão transformada. A bem da verdade, não apenas a moda sofre transformações, mas também, e principalmente, os costumes da sociedade.

O primeiro grande conflito mundial foi um desses momentos da história da humanidade que fez com que muitas coisas mudassem significativamente. Obviamente, antes mesmo da Primeira Grande Guerra, mulheres já trabalhavam em determinados cargos, de acordo com suas necessidades de sobrevivência. Muitas eram governantas, balconistas e etc. Mas as perdas ocasionadas pela guerra fizeram com que a maioria das mulheres trabalhassem em cargos antes ocupados apenas por homens, como as linhas de montagens de fábricas, por exemplo. Sendo assim, surge a necessidade de roupas mais práticas, que se adaptem a atividades inteiramente novas.

Como vocês devem saber, a Primeira Guerra Mundial aconteceu no período de 1914 a 1918. Ou seja, quatro anos de terror. Todo o glamour, luxo, suntuosidade e festas infinitas foram deixados de lado em prol de atividades mais imediatas. É hora de atender os feridos e a trabalhar para sobreviver em tempos de racionamento.

As roupas então perdem o colorido e se tornam cada vez mais sombrios devido ao crescente luto. Um pouco antes da guerra as vestimentas femininas já haviam sofrido uma modificação significativa. A saia ainda era muito comprida e justa nos tornozelos, mas agora usava-se uma outra por cima, uma espécie de túnica que ia até logo abaixo dos joelhos.

Os chapéus diminuíram de tamanho e continuaram a ser usados durante a guerra. Porém, a saia dupla foi abandonada por atrapalhar o trabalho. A partir de 1915 as saias encurtam, deixando à mostra os tornozelos, e mais para frente já mostrava a metade das panturrilhas.

Os homens, feridos de guerra, que voltava para casa devido às suas licenças, começavam a se preocupar com a emancipação feminina que se deu início em sua ausência.

La Belle Époque

Suntuosidade, luxo, beleza, glamour, ostentação, são palavras que podem definir o período que vai da década de 1890 até o início da Primeira Guerra Mundial em 1914.
A belle époque – bela época em francês – foi um período marcado por grandes bailes, festas, jantares em casas de campo, onde tudo era muito extravagante e os gastos eram enormes. Não existia a preocupação com racionamentos, pelo contrário, tudo era muito exagerado. A cidade luz, ou seja, Paris, era a capital do luxo, sendo a grande estrela daquela época.

A moda refletia este ambiente de ostentação, afinal a moda é sempre um reflexo da sociedade, do comportamento, da cultura.

Torturantes e apertadíssimos espartilhos são os responsáveis pela silhueta que marcou esta época.  O corpo visto de frente se assemelhava a uma ampulheta e de perfil um “s”. Quase como uma armadura, os espartilhos deixavam o corpo rígido na frente, levantando o busto e jogando os quadris pra trás. É importante ressaltar que a moda era ter uma cinturinha de pilão, de absurdos 40 cm de diâmetro.

As saias tinham formatos de sino, deslizando pelos quadris e abrindo em direção ao chão. Não se usava mais as anquinhas (espécie de armações, localizadas na altura do bumbum, que acentuavam o derriè), mas o volume das saias e seu formato de sino faziam com que o corpo ficasse bastante curvilíneo. Tudo era muito adornado por rendas, revelando muita feminilidade.

Durante o dia não se usava decotes. O corpo ficava escondido dos pés até as orelhas. Mãos eram cobertas por luvas. Usava-se botas para cobrir as canelas, e as golas dos vestidos ou blusas eram muito altas, com babados. Os cabelos ficavam presos no alto da cabeça e os chapéus eram quase sempre adornados com plumas. Era bastante comum também o uso de sombrinhas como acessório, e bolsas de delicadas dimensões. Também era comum usar leques para espantar o calor.

A noite, nos grandes bailes, os decotes apareciam. Os decotes eram extravagantes e os vestidos extremamente glamourosos. Luvas compridas podiam cobris os braços.

Curiosidade - Alguns autores afirmam que foi no ano de 1880 que o tailleur passou a fazer parte do guarda-roupa feminino. O responsável por isso foi o costureiro britânico radicado em Paris, John Redfern, que propôs ao guarda-roupa feminino um casaqueto acompanhado de saia longa e rodada. A então princesa de Gales, Alexandra – rainha da Inglaterra de 1901 a 1925 – aderiu à proposta, popularizando o tailleur feminino.

Princesa Alexandra, 1880

Os trajes masculinos aceitos para as ocasiões formais eram compostos de sobrecasaca, terno e cartola. Informalmente, os chapéus de palha eram muito populares. As calças tendiam a ser estreitas e curtas. Colarinhos de linho branco eram engomados e bastante altos, assim como as golas que as mulheres usavam. Os jovens usavam as calças com bainhas viradas e vincos na frente. Barbas e bigodes bem cuidados era quase que uma obrigatoriedade.

Traje Masculino

Em 1980 a silhueta feminina começou a se tornar menos rígida. O busto já não era tão mais empurrado para frente o o quadril para trás. Os chapéus se tornaram maiores, sando a impressão que os quadris eram mais estreitos. Mas foi em 1910 que houve uma mudança fudamental na moda. Houve um forte orientalismo, devido ao impacto do balé russo com a produção do balé de repertório Sherazade. As cores fortes e espalhafatosas foram adotadas pela sociedade e os corpetes rígidos e as saias de sino foram substituídos por suaves drapeados.

Curiosidade – As saias se tornaram mais afuniladas que impediam as mulheres de darem passos maiores que oito centímetros. Para que não dessem passos mais largos e acabassem por rasgar as saias, mulheres usavam uma espécie de liga que amarrava uma perna à outra!

A silhueta agora passa a ser um triângulo invertido, e as rendas substituídas por botões pregados em lugares inusitados. Em 1913 os vestidos deixam de ter golas que vão até as orelhas e o decote em V passa a ser usado no dia a dia. Muitos consideraram esta mudança como exibição indecente e os médicos consideraram um perigo à saúde. “Blusa pneumonia”, eles diziam, à pobre blusa com decote V.

Semana que vem, conheça as mudanças que a Primeira Guerra Mundial trouxe à moda e comportamento. Até lá.

Fonte: LAVER, James – A Roupa e a Moda: uma história concisa. São Paulo: Companhia das Letras, 1989
Baudot, François – Moda do Século. São Paulo: Cosac Naify, 2008.
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