It’s all about growing up

Acho que vou falar de coisas meio cliché hoje neste meu inútil e humilde blog. Mas é meio inevitável para mim neste momento.

Todo mundo já ouviu e assistiu o vídeo “Sunscreen”. O vídeo mais bacana que eu conheço, que toca mesmo o coração e fala coisas que são verdadeiras, e que a Globo fez o favor de estragar colocando o Pedro Bial pra narrar uma tradução malfeita do famoso discurso.

Bem, eu posso dizer que ao longo dos meus 27 anos eu passei por muitas coisas. Pareço uma velha falando, mas é a pura verdade. Há mais de dois anos atrás resolvi dar esse enorme passo que foi vir morar na Itália pra fazer minha sonhada pós graduação em Design. E paguei um preço alto. Passei por muitas coisas, mas muitas mesmo nesses dois anos que poderia escrever um livro. Conheci gente de todo tipo e descobri que não da pra confiar em ninguém que não seja você mesmo em terras tao distantes de casa. Cara, não há lugar como nosso lar.

Mas a coisa mais difícil pra mim foi perder o meu pai no acidente da gol no ano passado. Hoje, para quem não passou pelo que eu passei, pode até parecer banal. Afinal isso é noticia velha. Mas pra mim, parece que foi ontem que ouvi a voz do meu pai pela ultima vez me contando que havia comprado uma passagem pra mim para que eu fosse ao Brasil visita-los. Parece que foi ontem que abracei meu pai pela ultima vez naquele hotel em Roma e fui embora acenando para meus pais que me acenavam de volta da sacada. parece que foi ontem que abracei meu pai enquanto eu chorava de emoção e ele ria quando eu descobri que passei no vestibular pra UFRJ em 1998.

Agente não esquece essas coisas, e a dor da saudade e o luto nos acompanham para sempre. Ela não diminui. Fica la. Nos apenas aprendemos a conviver com ela.

Uma amiga querida neste momento esta passando por uma situação parecida. E eu tenho tentando, com minhas humildes palavras, compartilhar com ela a dor. Ajudar a carregar o fardo, apesar de que, ninguém pode fazer isso por nos.
Pode parecer besteira, mas é bem assim que funciona. Só quem perde alguém assim, um pai ou uma mãe, que consegue entender realmente o que significa. Como se fosse um clube fechado. Um triste clube.
Mas o que eu costumo dizer para essa minha amiga, é que nos não perdemos ninguém. Esse alguém apenas foi para um lugar bem mais bacana do que esse nosso mundinho infame e degradante. E um dia iremos todos nos reencontrar. Pois o amor não acaba quando alguém faz a passagem. Ele persiste, e nos faz ir adiante.

E estas experiencias nos fazem mais fortes. Apesar da dor incomensurável que vivemos e sentimos, nos tornamos mais fortes e conseqüentemente mais confiantes.
E eu tenho o orgulho de dizer que depois de um ano de muitos momentos de depressão, estou me reerguendo e me sentindo cada vez mais madura, forte, e de bem comigo mesma. Forte o suficiente pra seguir os conselhos de meu pai, que me dizia “Não permita que ninguém te faça sentir inferior”. E eu, finalmente, estou conseguindo seguir esse conselho verdadeiramente.

Assim, revendo, depois de tanto tempo, o vídeo “Sunscreen”, eu sorrio e digo a mim mesma “Esse cara tem razão. And I feel good”.

6 Comments

  1. Oi Cyn querida,
    vim ver seu post e claro que me identifiquei
    como eu te disse, eu estou tentando ainda me acostumar com essa nova realidade, eu ainda fico me pegando distraida nos ultimos momentos que tive com minha mãe, os ultimos momentos que falei com ela e ela me respondeu, e depois a ultima semana dela com ela em coma induzido, e o ultimo dia que a vi…doi demais, mas parece que é um consolo ficar lembrando disso.

    espero e como eu disse eu quero acreditar que ela esteja em um lugar melhor e que esteja bem, olhando pelos filhos, netos, bisneta, familiares e amigos.

  2. Ah, querida, nem sei se sou indicado para escrever algo aqui, eu poderia dizer que conheço a dor, mas exemplos e historias não são nada quando comparados à dor real, então posso dizer que entendo sua dor e que conheço-a em grau infinitamente menor.

    É bom saber que batalhou e esta vencendo, seu pai sempre estará com você e que as boas lembranças fiquem guardadas, eu sei que apenas lembranças podem parecer insuficientes, mas digo que através dessas lembranças é que se pode prestar uma homenagem silenciosa.

  3. O que posso dizer de tudo o que li em seu post, é que sempre enxerguei esta mulher forte, com uma energia vital imensa, com um sorriso lindo, e que neste momento me parece estar conseguindo enxergar tudo isso…
    Como te disse em nossa conversa no MSN, estou à sua frente em relação a voce mesma, porém acho que a melhor hora para se descobrir é sempre o AGORA… Então minha linda, abra as janelas, e solte um grito bem alto dizendo pra tudo e pra todos o quão maravilhosa você é.
    Beijossssssssssss, e parabéns pela felicidade encontrada dentro de ti.
    Te adoro muito…

  4. Cyn, eu sou patife para a morte. Não sei se aguentaria ver mais alguém que amo morrer. Sofro só de pensar! Imagino como se sente, teve tempo suficiente para conviver com o seu pai e as lembranças são bem maiores que as minhas, por exemplo, que perdi meu pai ainda pequena. Esses dias pensei nisso e achei que Deus foi bonzinho comigo, tenho menos lembranças, então acho que as saudades são menores. Mas crescer é isso, acumular responsabilidades, assumir a direção e enfrentar os problemas. Você está se fortalecendo e sendo melhor a cada dia, isso é o mais importante!
    🙂 Eu conhecia só a versão Bial!
    Beijus

  5. oie!
    Welcome to your new life!!
    literalmente ne!!

    to orgulhoso de vc por pensar assim.. afinal de contas, tristeza e lagrimas nao combinam com vc!!!!

    bjs

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