Mulheres italianas e a maquiagem

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Uma das primeiras coisas que aprendi quando cheguei na Itália, foi a relação das mulheres com sua aparência. Posso afirmar que a grande maioria delas sempre se maquia, até mesmo pra ir até a esquina comprar pão.
No inicio eu não compreendia esse excesso de vaidade e até mesmo criticava. Até porque, além do exagero dos olhos carregados com muito brilho, como se fossem à festas logo pela manha quando na verdade são estavam indo à faculdade, todas, sem exceção, se vestiam de modo igual .
A impressão que dava é que naquele inverno absurdamente frio, todas se uniformizavam de seus casacos conhecidos como “piumino” (pois seu acolchoamento consiste em uma grossa camada de penas muito eficientes contra o frio intenso) com cores que iam do branco ao prateado, do amarelo passando pelo laranja chegando ao dourado, do lilás ao roxo laminado, do rosinha mais discreto até o mais espalhafatoso ou um pretinho básico; seus jeans usados com cintos de strass e seus pares de tênis de marca meio surrados (e também de todas as cores possíveis).

Além dos cabelos, que eram mais ou menos iguais. Quando não eram pintados de preto e alisados na chapinha, eram encaracolados castanhos ou pretos usados das seguintes formas: soltos, presos em rabos de cavalo, com bonés ou gorrinhos. Quando não era uma coisa era outra, sempre seguindo uma certa linha, um certo padrão.

Enfim, elas ṣo super vaidosas e pra falar sobre o modo como se vestem precisaria de um post especifico para isso Рque talvez eu venha a desenvolver mais tarde. O que elas tem em comum realmente ̩ a maquiagem.

Vaidade sim, mas sem exageros

Por onde andei pelo Brasil, pude observar que não é muito comum as mulheres se maquiarem no seu dia a dia. Não que não sejamos vaidosas. Somos e muito. Adoramos creminhos para o rosto e corpo, sempre preocupadas e insatisfeitas com nossos cabelos e formas físicas. Adoramos maquiagens, esmaltes e afins, mas no dia a dia não nos maquiamos, reservando tal ritual somente para eventos mais importantes tais como festas, happy hours ou baladas.

image E por isso estranhei, assim que cheguei já, ao ver as colegas de faculdade com quem morei sempre se maquiando até pra ir por 5 minutos ao mercado. O que estranhei não foi o ato de se maquiar em si, e sim o exagero. Quilos de base e corretivos para preparar a pele, seguidos de sombras carregadas de cores fortes e brilhantes, finalizado com lápis de olho e mascara para cílios. Todos os dias. Chegando ao cumulo de muitas vezes a maquiagem estar tão carregada que a cor da pele da moça – ou mulher – parecia artificial (provavelmente por usar uma base com tom diferente de sua pele, na maioria das vezes mais bronzeadas! – ah sim, mulheres e homens também tendem a fazer bronzeamento artificial no inverno, o que daria mais um post).

Quando eu trabalhava em uma empresa de informática em Brasília como webdesigner, eu mantinha um ritual diário de maquiagem básica para trabalho. Corretor nas olheiras e defeitinhos, lápis de olho preto, mascara preta ou transparente para os cílios e só. No máximo, algumas vezes eu colocava uma sombra bem clarinha, quase imperceptível, somente para realçar os olhos.

Mas percebi que nenhuma das minhas colegas de trabalho o fazia, até que começamos a freqüentar uma academia juntas no horário de almoço e elas se viam obrigadas a me esperar a terminar de refazer minha maquiagenzinha básica. Foi mais ou menos assim que elas também passaram a cuidar melhor de suas aparências e eu vi que mulheres super bacanas e cheias de conteúdo, antes sem vaidade e apagadas, começarem a brilhar novamente, como graciosas flores que reabrem na primavera depois de um inverno rigoroso.

Nunca nada exagerado. Cada uma delas apenas realçando suas belezas, os seus pontos fortes e melhor de tudo, reacendendo suas auto-estimas esquecidas em algum canto de alguma gaveta de suas almas.

Na Itália, no inicio eu não me maquiava. Afinal estava indo somente para a faculdade, não havia a necessidade de maquiagem! Mas se aqui existe uma certa competitividade entre as mulheres, lá a coisa é muito mais forte. Muito embora eu não considere que aqui no Brasil exista tanto esse tipo de competição. Na Itália, me senti um verdadeiro peixe fora d’água. Querendo ou não, era isso mesmo que eu era, uma estrangeira, com costumes diferentes (mas nem tão diferentes assim), que era vista como um ser de outro mundo. Eu não quis, de maneira nenhuma, me igualar às italianas, afinal de contas sou brasileira com muito orgulho e muito amor, e acabei sofrendo bastante com isso. Não me maquiava, achava tolo e supérfluo, além de ser podada por algumas pessoas que me queriam ver por baixo.

Cheguei a me sentir inadequada, afinal não tinha roupas como as delas e não seguia o mesmo padrão de comportamento.

Dando um mãozinha à auto-estima

image Não mudei meu jeito de ser, nem passei a me vestir como elas. Mas pra dar uma sacudida na minha auto-estima já tão pisoteada, passei a observar o que a cultura deles podia ter de melhor. E assim resgatei o ritual de maquiagem antes de sair de casa. Sem exageros, como fazia antes no Brasil e cheguei a inspirar amigas!

Este simples ato me ajudou bastante a me sentir mais bonita. Apenas realçando o que mais gosto em mim, meus olhos. Corretivo + lápis preto + máscara preta para cílios. Vez ou outra uma sombra discreta. Continuo com este doce hábito ainda hoje, e meu noivo adora e apóia!

E quando tiver de arrasar, maquiagem mais carregada sim, por que não? Desde que seja com bom gosto e classe, que esteja de acordo com nossas personalidades, sem querer ser o que na verdade não somos.

imageNão quero me contradizer. Ainda discordo da campanha da Boticário “Acredite na  beleza”, que errou o tom com um de seus filmes. Mas como dito naquele post eu acredito na beleza sim. Só não acredito na pratica de julgarmos uns aos outros pelas aparências, vestuário e cultura. Acredito na diversidade, em valorizar o que somos e o que temos à oferecer e acima de tudo no respeito mutuo. Se cuidar, se amar, sem nos supervalorizarmos. Sem dar valor demasiado à vaidade. Saber medir. Saber diferenciar. Saber respeitar as diferenças e não fazer com que outra pessoa se sinta inferior a você pelo simples fato de ser diferente. Porque, at the end of the day*, o que conta realmente é quem você é, o que tem dentro de si, mas nem por isso devemos nos descuidar do nosso exterior.

Por esta razão, se você curte se maquiar, não esqueça que antes de dormir, é imprencidível retirar toda a maquiagem com seu demaquilante preferido e, porque não, passar um belo creme para o rosto depois de lavá-lo bem.

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* Expressão americana equivalente à “afinal de contas”

Doação de Cães em Curitiba

Mora em Curitiba e adora bichinhos? Gostaria de adotar um cãozinho? Então, no dia 28 de setembro (domingo) não perca a oportunidade de fazê-lo na MEGAFEIRA de Doação “Cão Parcão”, uma feira de cães filhotes e adustos todos castrados e vacinados. Na feira ONGS participarão vendendo alguns produtos que terão sua renda revertida para a causa.

Então, você de Curitiba (ou de passagem por lá ) que queira um novo melhor amigo, não esqueça: dia 28 de setembro, MEGAFEIRA de Doação de Cães no parcão do Museu do Olho e/ou Museu Oscar Niemeyer, localizado na Rua Marechal Hermes 999, das 10h até as 17h.

Mais informações no site da Tine Araujo e no site da campanha Cãopanheiro .

Descolagem #2: eu vou!

Demorou, mas finalmente sairei da minha conchinha de timidez. Amanḥ, dia 6 de setembro, acontece o segundo Descolagem no N.A.V.E. РN̼cleo Avan̤ado de Educa̤̣o da Oi no Rio de Janeiro e eu vou!

Como todos sabem o Descolagem pode ser uma palestra, mas também uma mesa redonda, um filme, uma performance, um curso, workshop ou o meio de difusão de informação e conhecimento que mais se adequar ao momento, à proposta, ao assunto, ao século em que vivemos.

Não fui ao primeiro evento no N.A.V.E. que ocorreu no dia 5 de julho e teve como tema a Revolução Digital e confesso fiquei bem curiosa ao ouvir os relatos de meu primo Pedro Cardoso sobre o evento e sobre o local do mesmo e me arrependi de não ter ido.

O Descolagem #2, segundo o site do evento, tem tudo a ver com quem curte design, pois tem como tema central “Interfaces: o homem e a máquina falando a mesma língua”.

“(…) próximo Descolagem está marcado para o dia 6 de setembro, sábado, a partir das 15h00, no NAVE. Os convidados desta edição serão o coletivo de design e moda OESTUDIO, o cosmólogo, pesquisador e filósofo Luiz Alberto Oliveira e os diretores da empresa de design interativo 32bits Danilo Medeiros e Daniel Morena. Quem não conseguir participar presencialmente vai ter uma boa opção: no dia do evento, a nossa WebTV transmite o Descolagem ao vivo, a partir das 14h30.”

O bacana desses eventos é que eles são gratuitos. Porém, o local comporta numero limitado de pessoas, sendo necessário fazer uma inscrição pelo e-mail descolagem@gmail.com.
Eu fiz a minha e já recebi minha confirmação. E vocês? Quem eu irei ver /conhecer por lá?

Tarja Turunen no Rio: Eu fui!

No último domingo, dia 31 de agosto, o Canecão recebeu a cantora lírica finlandesa Tarja Turunen, em turnê pela América do Sul, chamada Tempestade na América, turnê que é resultado de seu primeiro álbum solo My Winter Storm, depois de deixar o cargo de vocalista do Nightwish.

A histórica casa de shows da cidade maravilhosa estava cheia e o público ansioso para o inicio do evento que estava previsto para as 20:30. A abertura foi com o show da banda brasileira Hydria. Praticamente nova no mercado, a banda barulhenta tem vocal feminino mezzo Cristina Scabbia do Lacuna Coil, mezzo Sharon Den Adel do Within Temptation, querendo muito ser Tarja Turunen. Suportável, não que tenha sido ruim, mas eu fui ali pra ver a Tarja.

Com o fim do show de Hydria, uma cortina branca foi erguida diante de nossos olhos. Minutos depois de ouvir muitas gritarias por parte do público, se ouvem os primeiros acordes e uma luz por trás da cortina projeta a silhueta da soprano finlandesa que canta as suas primeiras notas. A musica que abre o show é Boy and the Ghost. O publico canta junto com Tarja e vai à loucura quando a cortina cai quando a canção chega em seu ápice. No mínimo emocionante.

O show prossegue com músicas de sua carreira solo misturadas com algumas da era Nightwish como Nemo, Wishmaster e Over the Hills and Far Away durante as quais o publico se agita ainda mais que o normal e canta junto com Tarja. Não faltaram as ótimas Walk Alone e Die Alive, a lindíssima Sing for Me nem tampouco Poison de Alice Cooper e até mesmo um cover de Megadeth , a Symphony of Destruction misturada com Dark Chest of Wonders do Nightwish. Tudo isso e muito mais entra uma troca de roupa e outra (que foram muitas por sinal).

Lindíssima e de voz impecável, Tarja era um show por si só. Sorridente, demonstrava uma grande felicidade de estar ali presente e dava um show de simpatia e carisma, falando um português excelente dizia “Para mim é um sonho cantar para vocês”. Distribuída “obrigada” e “thank you very much” ao fim de cada canção e mostrou sua versatilidade ao cantar e tocar em seu teclado a belíssima Oasis.

A soprano foi acompanhada durante essa turnê pela América do sul, por uma banda de peso, formada por alguns dos maiores músicos da atualidade. No baixo Doug Wimbish que já tocou com Madonna, Jeff Beck, Living Colour e Rolling Stones; Na guitarra o brasileiro Kiko Loureiro do Angra; Maria Ilmoniemi nos teclados; Na bateria Mike Terrana (Masterplan, Savage Circus, ex Rage, ex Malmsteen), que deu um show à parte com seu solo de batera; e Max Lilja no cello (Hevein, ex Apocalyptica).

Com certeza um final de aniversario especial e emocionante para mim que sou fã da Tarja há anos e nunca a havia visto cantando pessoalmente. Ela que me inspirou a fazer canto lírico e que encanta tantos fãs por aqui. Se despediu do Brasil neste show do Canecão, prometendo voltar em breve.