Bertha Rosanova, uma pequena homenagem.

Desavisada, sai ontem tranqüilamente para a minha aula de ballet como faço sempre. No Estúdio Bertha Rosanova, o clima estava sensivelmente diferente. Uma das aulas não estava ocorrendo e estranhei o fato de ter a minha aula na sala do primeiro andar. Uma sala linda, por sinal, com diversas fotos da Prima Ballerina Assoluta Bertha Rosanova e cartazes antigos de suas apresentações históricas.
E, apesar de ter estranhado a mudança, fiz meus exercícios com a mesma alegria e prazer de sempre, suportando o calor bravamente que fazia ontem no Rio de Janeiro, com minha malha, polainas e uma sala fechada.  Mal sabia eu da tristeza que ali residia.
Ao voltar para casa descobri a infeliz realidade e causa daquele clima de tristeza, havia falecido na manhã de ontem, aos 78 anos, nossa grande mestra do ballet, a Primeira Bailarina Absoluta do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Era conhecida por sua graça, força e delicadeza em palco.

Bertha Rozenblat nasceu em 31 de agosto de 1930, no Rio de Janeiro, e recebeu de Eugenia Feodorova o nome artístico Bertha Rosanova.

Filha única de pais poloneses, aos oito anos de idade iniciou seus estudos de ballet na Escola de Danças do Teatro Municipal do Rio de Janeiro criada por Maria Olenewa, que foi sua professora, como conta a biografia que se encontra no site de seu estudio: http://www.studiobertharosanova.com.br

“Em 1943, apenas com 13 anos ingressava no Corpo de Baile Oficial do Teatro Municipal do Rio de Janeiro através de uma seleção, e dois anos mais tarde, com quinze anos, era nomeada “Primeira Bailarina”. Neste teatro, trabalhou com diversos coreógrafos como Yuco Lindenberg, Igor Schwezoff, Madelene Rosay, Leonide Massine, Aurélio Millors, Willam Dólar, Tatiana Lescova e Eugenia Feodorova, entre outras figuras importantes do ballet nacional e internacional.

Primeira Bailarina Absoluta do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, Bertha recebeu por três vezes a Medalha de Ouro das Associações dos Críticos Teatrais, como melhor bailarina brasileira, em 1948, 1951, e 1959. Sempre com enorme sucesso de crítica e público, Bertha excursionou por diversos países da América do Sul, França, África do Norte e Suíça.

Bailarina de inigualável dom artístico permanece como símbolo do ballet brasileiro, “A Magnífica”, sem dúvida nossa bailarina maior.

Seu vasto repertório incluiu todos os grandes clássicos e ballets especialmente criados para ela, destacando-se “o Lago dos Cisnes” em quatro atos, dançado completo pela primeira vez na América do Sul, sob direção de Eugenia Feodorova (quando recebeu o título de “Primeira Bailarina Absoluta do Brasil”).

Em 1983, Bertha Rosanova recebeu o prêmio Pedro Ernesto da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, como gratidão a uma das mais eminentes expressões da dança aqui radicadas.”

Bertha dirigia e dava aulas na sua própria academia fundada em 1957, e periodicamente ensaiava as bailarinas do Teatro Municipal. Vítima de câncer nos brônquios e nos pulmões, estava enternada desde a ultima sexta-feira, mesmo dia em que foi homenageada em um grande espetáculo no Theatro Municipal, mas não chegou a ver a homenagem. A bailarina deixa marido, uma filha e dois netos, além de inumeras admiradoras e alunas de sua escola de ballet.

Uma grande perda, sem duvida, para o meio artistico brasileiro.
Abaixo, algumas de suas fotos, retiradas do site de sua escola de ballet: http://www.studiobertharosanova.com.br

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Bertha Rosanova em Lago dos Cisnes
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Bertha Rosanova e Aldo Lotufo – La Bayadera, remontagem de Eugenia Feudorova
imageBertha Rosanova e Aldo Lotufo, Lago dos Cisnes, 1959 imageBertha Rosanova e Aldo Lotufo, Gisele
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Bertha Rosanova em Gisele
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Bertha Rosanova

2 Comments

  1. Passei por algo semelhante na época em que fazia ballet (há muitos anos, infelizmente – tenho muita vontade de voltar!). Como eu ainda era meio criança (tinha uns 10 anos), não tinha muita noção do que estava acontecendo. Lembro da minha mãe me explicando que a bailarina e dona da escola havia falecido. Não cheguei a ter nenhuma aula com ela, mas ela era super presente na direção de espetáculos de final de ano. No espetáculo daquele ano, fizemos uma homenagem à ela (que foi linda!).
    Sinto saudades tanto de fazer ballet quanto de ver ela pela escola. Ela não chegou a ser uma bailarina super importante, mas era muito especial para nós. Ainda bem que as duas filhas dela davam aula também, então o legado estava sendo passado adiante.

  2. Pois para min entre otros qe se van ,eu tive o lujo e prazer de fazer aulas con ela no liceu de artes e oficio em 1981 ,1982 porai a fora e tenho ate hoje o carnet de suas aulas , e me lembro que ela era muito dedicada como professora e eu gostava muito ,hoje em dia vivo na europa e tenho 46 anos e é triste saber que gente deste tempo e desta envergadura nos abandonapara um mundo melhor
    Bem aqui esta meu email para ver se encontro alguns alunos desta epoca.

    saludos Henrique dos Santo
    Vulgo Henrique Lillber

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