É possivel viver de arte?

velazquez-las-meninas
Las Meninas, 1656 - Diego Velázquez

A historia da humanidade sempre caminhou de bra̤os dados com a arte. Quem teve a oportunidade de estudar Historia da Arte como eu Рfilha de artista plastica, sempre tive acesso, desde muito pequena a livros de arte e minha profisṣo de designer tem como base primordial a arte e sua historia Рsabe o qụo gostoso pode ser uma aula sobre o assunto e ver como tudo que sabemos hoje esta documentado nas mais lindas obras de arte.

O que me impressiona ̩, que mesmo sendo de primordial import̢ncia para a nossa Historia (inclusive a documenta̤̣o do que inda esta por vir), a arte ṇo ̩ Рe acredito que nunca tenha sido Рvalorizada como merece.

A atual novela das 19:00hs, Caras & Bocas, faz uma critica de maneira bastante descontraída a esta dura realidade. A galeria de Arte de Dafne sobrevive das “doações” da empresa de seu avo e dos patrocínios que consegue. Gabriel, sempre quis pintar e não pode dar continuidade a este sonho pois precisa sobreviver e sustentar sua família com o dinheiro que consegue tirar diariamente com seu bar. Denis, primo de Gabriel, é o único que insiste em seu amor pela arte e por isto não consegue sequer pagar as contas e dar de comer a seu filho.

Este ultimo, mesmo dominando muito bem técnicas de pintura e tendo um incrível talento, não tem seu trabalho valorizado e só consegue ter destaque, a partir do momento em que um chimpanzé mexe em suas pinturas, destruindo-as completamente, e só então sendo consideradas obras de arte.

Cresci ouvindo minha mãe dizer que não se vive de amor à arte. E isto é um fato. Vejo muitas pessoas talentosas por ai que nunca tiveram uma oportunidade de mostrar seus trabalhos, ou quando o fizeram nao tiveram o reconhecimento merecido. Infelizmente, só quem consegue algum tipo de patrocínio, conhece alguém importante em algum meio artístico, alguém influente, consegue o reconhecimento de seu talento para posteriormente viver daquilo que ama.

Não somente no meio artístico (leia-se artes plasticas, dramaturgia, literatura e etc.), mas em todos os meios, para se conseguir uma colocação (veja bem, não digo nem mesmo boa colocação, falo de uma colocação qualquer) é necessário indicação. E isto tudo, apesar do visível crescimento de nosso pais na ultima década, e não é culpa da crise dos últimos anos.

A crise provavelmente agrava o problema, mas ṇo ̩ absolutamente a causa. Brasileiros ṣo acostumados a fazer malabarismos para sobreviver e isto ṇo ̩ novidade. Forma̤̣o acad̻mica ṇo garante (e nem nunca garantiu) bons empregos e durabilidade em uma empresa. Com crise, ou sem crise, continuaremos com nosso jeitinho brasileiro para fazer as coisas melhorarem, um pouquinho a cada dia, e talvez por isso ṇo tenhamos tanto medo de crises Рafinal a historia do nosso pais ̩ recheada delas.

O que me magoa, pessoalmente, é que, por melhor formação que a pessoa tenha, por mais talento que tenha, por mais que tenha ralado anos em uma faculdade para saber o que sabe, raramente tem seu valor reconhecido. Pode ser em um trabalho freelancer de um website para um cliente, pode ser dentro de uma empresa.  Todo mundo quer tudo de mão beijada e ninguém quer pagar nada.

Acho bastante valida a critica bem humorada feita pela novela Caras & Bocas. Somos um povo bem humorado, que adora se divertir. Só espero que a critica conscientize a todos da importância da arte e da importância de valorizar o profissional.

Sem a arte não saberíamos nem a metade do que sabemos de nossa Historia, não saberíamos de onde viemos e muito pouco do que somos. Arte não é só para enfeitar a vida e as paredes de nossas casas. Arte é cultura. E cultura é uma das necessidades primordiais dos seres humanos, ao lado de educação e saúde.

11 Comments

  1. Olá!
    Não. Não dá pra viver SEM ARTE.
    De origem humilde. Sempre tive amor pela arte e possibilidades pequenas, somente á altura de minhas curtas mãos (internet, livros de biblioteca publica) e onde os meus limitados passos podem me levar (museus, galerias e etc., nas redondezas de BH).
    Então, eis aí a confirmação de que sua opinião é de mais pura fidelidade a nossa triste realidade.
    Espero mudanças…
    Parabéns pelo trabalho
    Um forte abraço

  2. Eu estava pensando em jogar tudo para o alto e mergulhar de cabeça, em um curso de artes plasticas ou noções graficas, mas o seu texto me abriu os olhos.

    Pessoas como eu não sobreviverião sem a segurança do salário no fim do més, viver de arte foi um sonho lindo, mas não passa disso uma fantásia.

    Obrigado, pela injeção de realidade!

    1. Olá Marcelo,
      Acho que nenhum dos extremos é a melhor solução. Não jogue tudo para o alto e nem desista de seu sonho. Faça cursos que te agradem sem ter que abrir mão da segurança de um emprego que garanta seu salário no final do mês. Faça artes sim, mas como uma atividade paralela, até que você consiga reconhecimento, talvez.
      Jogar tudo para o alto é bobagem, é preciso ir com calma. Mas desistir também é ainda pior, pois ninguém quer viver na frustração.
      Abraços!

      1. Passei alguns anos da minha vida vivenciando essa triste realidade: mantendo um “trabalho de verdade”, como os brasileiros costumam dizer, e fazendo arte nas horas vagas… Que terror! Acontece que para quem mora numa cidade como São Paulo, manter um emprego com carteira assinada já é ocupar todo o tempo disponível e mais um pouco, porque só no trânsito perdemos preciosas horas, diariamente. Mesmo um trabalho de meio período acaba tomando todo o dia, e quando finalmente nos colocamos diante de uma tela em branco para produzir alguma coisa, já não resta nenhum vestígio de criatividade ou disposição artística…

        Como artista, sou um pouco radical, também. É tudo ou nada! Mas sei que estou errado, e encontrar esse meio termo também é uma arte. Abraços.

  3. Olha só. Arte é séria. Eu acho que essa novela só fez uma paródia idiota ao mercado de arte. Não fez favor nenhum, a não ser desmerecer o valor que os artistas tem. Mostra que até um chimpanzé, pode ficar famoso. Pode ser que qualquer um vire artista, mas hoje só perduram os que pesquisam bastante. Conheço mestres e doutores em artes, que depois de muito estudo, estão dando aulas em universidades e fazendo exposições mundo afora. Sei que não é para qualquer um. Qual foi a intenção da Globo, uma rede emissora historicamente cheia de intenções, com isso? Acabar de vez com a pouca credibilidade dos artistas sérios?

    Porque a Globo não ajuda investindo, organizando, patrocinando, promovendo bienais, como a Bienal de São Paulo? Porque a Globo não usa a sua obrigação social de educar as comunidades das favelas, para que aceitem a arte no seu dia-a-dia e saiam um pouco da dura realidade da violência e falta de oportunidades? A realidade não é “Xou da Xuxa”, meus amigos, diria um conhecido aprsentador de programa “mundo cão”.

    Parafraseando (mais uma) Vinícius de Morais: beleza não é tudo, mas talento é fundamental. É difícil, quem disse que não é? Mas muitos artistas não se esforçam ou não conseguem desenvolver talento suficiente. O problema é que o mercado é restrito, a porta é estreita, não há a obrigação do mercado gostar ou absorver muitos artistas. As indicações contam ponto, sim, em parte. Há o fator talento e muito, muito trabalho e “horas de vôo”.

    Viver só de pintar é difícil, mas o artista pode se complementar sendo fotógrafo, cineasta, designer, cenógrafo, estilista, etc. Ou ser médico (o ótimo Romero Brito), advogado, engenheiro, e continuar pintando. O artista, designer, seja o que for, tem que pensar e agir como empreendedor, tem que saber negociar, montar seu atelier-galeria. Se não se auto-valorizar quem vai valorizar? Os fotógrafos, por exemplo, tem uma forte organização. Já os designers… tsc tsc tsc, culpa, em parte, de vocês mesmos. Não costumo dizer que há trabalhos de arte ruim. Tem sim muito trabalho de arte mal desenvolvido, mas o artista não consegue ver isso, pois a “coruja não costuma achar os filhos feios”. Entendeu?

    Arte no Brasil só quem coleciona é a pequeniníssima elite nacional que detém quase toda a riqueza nacional. Não dar o devido valor a arte é um problema no mundo todo, mas, no Brasil, é agravado por recebermos uma cultura e educação de terceira linha, fora que não temos tradição em artes plásticas. Aqui não é a França. Pode consultar e ver que no país dos antigos bárbaros francos a visita a exposições e museus só perde para o cinema: Cinema(50%), visitar museus ou monumentos(35%), ver exposições(25%), assistir a espetáculos amadores(20%), teatro(16%), circo(13%), parques temáticos como o Eurodisney(11%), ver shows de rock, de jazz ou de música clássica(9%), e ópera(3%).

    Até no México, país de terceiro mundo como o Brasil, a arte é vista com mais carinho por causa da tradição asteca, maia e espanhola (vide os mestres Picasso, Velázquez, Goya, El Greco, Dalí, Miró, Gaudí, etc). Nem tivemos artistas com histórias e estilos tão autênticos como Frida Kahlo e Diego Rivera. Fora que os governos de lá investem há muito tempo.

    Costumo dizer que, no Brasil, os pobres, ou compram arte ou morrem de fome. Quando sobra algum dinheiro é para comprar mais um celular de ultima geração, ou um tênis Nike de 500 reais, que a sua querida Globo “vende”.

    1. Houve erros meus: onde se lê “Romero Brito”, é César Romero. E “acabar de vez com a credibilidade de artistas sérios”, é : acabar com a já pouca credibilidade dos artistas sérios.

  4. Concordo com a maioria sobre viver de arte, é uma loteria, um mês tu arruma algo e no outro mês nada. Eu já passei por isso quando estava desempregado, então é melhor garantir o seu do que esperar pelo incerto. Caminhando devagar e com objetividade talvez se chegue lá, com um certo empurrãozinho de alguém fluente, eu faço freelas como caricaturista de rua, e tá dando pra arrumar um cascalho por fora e poupança, pago meu plano de saúde com isso, uma maneira diferente de ganhar dinheiro e que chama atenção, pois desenhar a pessoa na hora é foda, muito treino. Quem quiser dá uma conferida no meu blog: lpequeno.blogspot.com. Abraços.

  5. Boa noite seu artigo veio de encontro ao que passo recentemente.
    Sou formada em uma profisssão que eu não gosto fiz por pressão familiar meu amor minha vida está na dança quando sai do colegial não pensei duas vezes em prestar vestibular para tal mas ouvi aquela frase de mãe que me deixou estática “Garota dançar nao é profissão é uma diversão você precisa fazer algo que te de retorno financeiro depois pense nisso” ok fui nessa realmente o que faço hoje me garante e garantiu bons trocados vestuário,alimentação,figurino e aulas mas passo 10 horas do meu dia em um escritório morrendo por dentro quando digo para algumas pessoas vou chutar o balde largar e me dedicar a dança e pessoas da própria área me dizem não largue seu emprego procure conciliar as duas coisas pois viver de arte no Brasil não é fácil.
    Obrigada pela sua postagem me fez repensar !

  6. É sarah, segura o teu, se por fora tu tem um extra e se veste bem. Agora se vier um tubarão branco e te der um empurrão melhor ainda, até lá, concilia as duas coisas, se planeja, não tá afim, folgue um final de semana, passeie, se distraia, abraços.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>