Ares – o deus da guerra

 

Mau, impiedoso, bárbaro e não muito inteligente. É assim que o filho de Zeus e Hera costumava ser definido. Daí pra pior na verdade. O mais odiado dos deuses, nem seus pais o suportavam. Nem mesmo seus pais. Ele era do tipo que plantava a discórdia e não suportava ver ninguém em paz. Ele tinha dois filhos, Medo (Fobos) e Terror (Deimos), que os auxiliava nas guerras, e contava com a ajuda da deusa Éris, que atiçava os homens uns contra os outros.

Só existia uma deusa que gostava dele. Era Afrodite, a deusa da beleza e do amor. Meio contraditório, afinal, se ela era a personificação do amor, ele era a personificação do ódio. Como dizem por aí, amor e ódio não são opostos, mas andam muito próximos um ao outro… enfim, não é algo que gostaria de discutir agora.

Ares só tinha uma qualidade (se é que pode ser chamada assim), era bonitão. Bronzeado, musculoso, parecia um herói em sua armadura. E Afrodite adorava um cara bonitão e forte. Como seu marido era o coxo Hefestos, adivinha quem ela elegeu por amante? Pois é.

Ares amava guerras sangrentas, morte e destruição. Entendia tudo de armas e tudo que estivesse relacionado a guerras. Menos sobre estratégia. A paixão dele era apenas a briga pela briga, o ódio disseminado, ele não conhecia coisas justas e adorava contar seus desagradáveis feitos. Aquele típico cara que se acha o máximo e não é nada além de uma montanha de músculos.

The Combate de Marte e Minerva por Jacques-Louis David Musee du Louvre, Paris – Atena derrota Ares e o humilha

Estratégias eram mais o campo de Atena. Apesar de ser a melhor estrategista do mundo, extremamente inteligente, detestava guerras e lutas e só tomava parte em último caso, ao lado dos justos. Ela e Ares se detestavam mutuamente. Por diversas vezes Atena, com seu brilhantismo, desarmou e humilhou eu meio irmão, que tinha um certo pavor dela.

O fato, é que Ares não se dava bem com nenhum dos deuses. Certa vez Hefestos preparou uma armadilha para pegar em flagrante Afrodite e seu amante. Os dois foram motivo de risada entre os deuses. Hefestos acabou soltando o casal, e óbvio que Ares guardou rancor. Esperou o momento certo para tentar se vingar e tentou atacar os deuses do Olimpo. Acabou sendo preso por dois gigantes, filhos de Aloeu, e ficou por um tempo desaparecido. O mundo ficou em paz durante esse tempo.

Zeus acabou por se preocupar com o desaparecimento do filho, e pediu que Hermes o encontrasse. O irmão do deus o acabou encontrando e ele foi liberto. Ele levou um tempo para se recuperar desta vergonha, mas tão logo recuperado, voltou a atormentar a todos.

Foi mal aê Ares, mas eu também não vou com a sua cara. Sorry. Não me fulmine.

Moda dos anos 60

 

Pela primeira vez na história da moda, o foco principal foram os adolescentes. Foi a década da rebeldia, isto sem dúvidas, e a busca pela renovação constante e quebra de paradigmas faziam com que a moda dificilmente conseguisse acompanhar o ritmo das mudanças e os desejos dos jovens.

As saias se encurtaram de maneira vertiginosa, se tornando mais curtas que jamais estiveram. Foi em 1964 que surgiu a minissaia, tão adorada pelas brasileiras até os dias de hoje. Foi a estilista Mary Quant que a lançou e a combinação botas + minissaia foi ideia do estilista francês André Courrèges. Sem dúvidas este foi o simbolo dos anos 60 junto com a margarida de plástico com a qual Mary Quant enfeitou sua moda. A margarida simbolizava o direito à paz, que tomou força principalmente na década seguinte, adotada pelo movimento do flower power promovido pelos hippies.

A mini saia

Enquanto na década de 50 os quadris se transformaram no foco erótico através do corte inteligente sobre eles, as roupas da década de 60 estabeleceram uma nova tendência. Sua modelagem era bastante geométricas, sem muita fluidez, quase duras mesmo. Em compensação, o apelo erótico das roupas dos anos 60 estavam no quanto desnudavam o corpo: além das minissaias (jamais antes as saias chegaram à altura das coxas), os decotes se aprofundaram e algumas vezes blusas podiam ser transparentes. A roupa de baixo foi adaptada à essas mudanças, as calcinhas ficaram menores para serem usadas com as minissaias saint-tropez, malhas justas passaram a ser usadas no lugar das meias finas e os sutiãs usados eram modelos mais naturais.

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O clima era também um tanto futurista, com tendências baseadas em ficção científica. Viagens ao espaço já eram feitas e foi no ano de 1969 que Neil Armstrong pisou na lua. “Um pequeno passo para o homem, mas um grande passo para a humanidade.” Enquanto isso, na moda, Couregès, já em 1964, criou uma colação de primavera baseada na era espacial. Roupas brancas, em quadrados, botas de cano alto. Já Paco Rabanne chocou incorporando às suas criações o metal e o plástico. Mary Quant lançava suas roupas extremamente práticas, simples e versáteis. Modelos em xadres, flanela listrada ou cinza. Fora a já citada minissaia que foi um sucesso mundial em 1965.

 

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Muitos foram os jovens estilistas a surgirem na década de 60, e cada um tinha seu estilo próprio. Os tecidos já apresentavam uma variedade enorme. Além das fibras naturais, as sintéticas se tornaram populares no mercado. Eram mais fáceis de cuidar, muitas vezes dispensando o ferro de passar, além de serem muito mais baratas.

"Mondrian", outono 1965, Yves Saint Laurent

Literalmente, a cara da década de 60 foi a da modelo Twiggy. E o corpo também. Olhos enormes e bem marcados, longas pernas magras, seios pequenos que algumas vezes apareciam furtivamente atrás de blusas transparentes, Twiggy – cujo nome significa raminho fino – foi a primeira modelo a se tornar um ídolo das massas. Tipo a Gisele Bundchen da década de 60. Só que Twiggy foi pioneira. Com 16 anos começou a brilhar e três anos depois já havia ganho dinheiro suficiente para ser considerada rica e se aposentar. Ela era parada nas ruas pelos seus fãs.

 

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Muito mais aconteceu neste período, e as mudanças foram muito frenéticas. Uma atrás da outra, coisas acontecendo ao mesmo tempo. Antes, tudo parecia parado e muito igual. A moda e a sociedade seguiam padrões específicos e determinadas regras que todos copiavam. A década de 60, foi a década em que a moda começou a ter uma variedade enorme de possibilidades e praticamente tudo passou a ser permitido. Foi um período de verdadeira revolução.

 

Hefesto, o ferreiro dos deuses

Hefesto era um dos filhos nascidos da união entre Zeus e Hera. Enquanto esperava a criança, Hera com certeza era a mais feliz das deusas. A Rainha dos céus estava esperando o filho de seu amor, o senhor dos deuses. A criança só poderia se tornar o orgulho do Olimpo, correto? Errado. Este post está longe de ser uma história linda de dia das mães…
Acontece que Hefesto, quando nasceu, era uma criança aleijada e bastante feia. Na antiguidade, em varios povos, incluindo os gregos antigos, era comum – terrível e errado, mas comum – que crianças com deformidades e/ou aleijadas fossem descartadas. Eram rejeitadas mesmo e entregues à morte. Mas acontece que Hefesto era imortal por ser um deus e Hera, furiosa e insultada por seu filho não ser a perfeição que ela esperava, agarrou a criança pela perna mais curta e a fez voar pela janela do Olimpo.

O lançamento foi tão forte, que Hefesto voou por um dia e uma noite inteirinhos indo cair direto no mar. A nereida Tétis e a oceaníade Eurínome acolheram a pobre criança rejeitada e decidiram cria-la. Hefestos cresceu morando em uma linda caverna recoberta por safiras azuis. Apesar de feio e coxo, cresceu com um coração muito bom, era muito grato às deusas do mar por terem criado ele e era também muito trabalhador.

Apesar de morar no mar, sua verdadeira paixão era o fogo. Admirava os vulcões e a força que eles passavam, e então decidiu tentar trabalhar moldando metais com o calor do fogo e a lava. A medida que trabalhava nas forjas que montou nos vulcões, se tornava mais forte e mais engenhoso. Fez lindas jóias de ouro para presentear suas mãe adotivas e um dia Hera viu Tétis usando uma dessas jóias. Hera se encantou com o trabalho e perguntou quem teria sido o artista.

Acontece que Hefesto também decidiu fazer um presente para sua mãe verdadeira. Mas não era um presente de gratidão. Construiu um belíssimo trono de ouro adornado de pedras preciosas. Neste trono maravilhoso ele incluiu correntes invisíveis e depois o enviou de presente para a sua mãe. Assim que Hera sentou no trono, as correntes se mexeram até aprisioná-la.

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Hera ficou furiosa e desesperada, não conseguindo mais se levantar do trono. Zeus achou que ela estava maluca, pois não conseguia ver as correntes. Quando foi tentar tira-la de lá, percebeu que algo muito duro prendia a deusa ao trono. Todos os deuses tentaram libertá-la mas foi em vão. Nem Ares com suas armas conseguiu e então Zeus decidiu enviar Hermes até a forja de Hefesto e pedí-lo que libertasse a mãe. Hermes não conseguiu persuadir Hefesto, então Ares decidiu trazê-lo à força.

Hefesto não se impressionou com as armas e fúria de seu irmão Ares, e revidou o ataque com um bastão de ferro flamejante, fazendo Ares voltar ao Olimpo de mãos abanando e uma senhora vergonha.

Dionpisio então se ofereceu para o trabalho, e prometeu voltar com o deus coxo para o Olimpo, sem brigas. Foi então até a forja de Hefesto, e conversa vai conversa vem, Dionísio e seu séquito de alegres ninfas e sátiros deram uma bela festa e embebedaram Hefesto com seu magnífico vinho.

Chegaram ao Olimpo cantando e dançando, e em sua bebedeira Hefesto decidiu soltar a mãe do trono e tudo foi perdoado. Mãe e filho se perdoaram mutuamente e Hefesto passou a morar no Olimpo com os demais deuses, voltando sempre à sua forja para trabalhar e, suas magníficas criações. Fez belas armaduras para Atenas, criava escudos, armas e coisas úteis aos deuses.

Zeus deu Afrodite a Hefesto como esposa, mas ela não ficou muito feliz com isso. Mas isso é uma outra história que depois eu conto para vocês. 😉

 

Tendência, de verdade, é ser sustentável

Olá pessoal, gostaria de pedir desculpas pois estou devendo algumas atualizações aqui. As últimas semanas foram difíceis, resolvendo uns probleminhas, que graças a Deus estão se encaminhando. Semana que vem volto com as postagens sobre história da moda, que tem muito a se contar ainda, das décadas seguintes e também das décadas das quais já falei.

Tem muita história para se contar, sobre estilistas de todas as décadas e curiosidades, que aos poucos vou soltando aqui.

Durante esta semana, acompanhei a polêmica gerada com a última coleção da Arezzo e desde então venho pensado em escrever sobre o tema. Me faltou tempo, mas agora gostaria de expressar algumas considerações.

O lançamento da coleção da Arezzo intitulada Pelemania, gerou uma grande polêmica e isto é fato. Em tempos de conscientização de preservação da natureza e a tomada de atitudes sustentáveis, lançar uma coleção deste tipo foi simplesmente uma grande mancada. Vendo a repercussão extremamente negativa e os diversos protestos que surgiram pelas redes sociais Twitter e Facebook, a empresa correu para tirar a coleção das lojas de todo o Brasil e se desculpou publicamente com comunicados.

Legal, bacana, daí a gente vê a força das mídias sociais nos dias atuais, e a transformação completa da relação empresa- consumidor, que se tornou verdadeiramente direta e estreita. Ponto para a internet.

Mas o que eu gostaria mesmo de abordar é uma outra coisa. Vi que a Arezzo se desculpou dizendo o seguinte:

Somos uma empresa dinâmica e constantemente em busca de inovação; lançamos anualmente  nove coleções diferentes, com cerca de cinquenta temas em linha com as últimas tendências da moda mundial e de acordo com o desejo de nossos consumidores.

Certo, é isso mesmo que as empresas de moda devem fazer. Lançar coleções com as últimas tendências da moda e de acordo com o desejo de seus consumidores.

Pode até ser que a utilização de peles de animais ainda seja tendência em algum lugar desde mundão. Pode até ser. Mas a maior tendência dos últimos anos é – e, acredite, continuará sendo – a Eco-friendly. Então acho que faltou aí uma boa dose de bom senso, e uma pesquisa direcionada ao próprio mercado consumidor. Afinal de contas, o uso de peles, seja como for, já a alguns anos que é sempre questionada e muito rejeitada.

A gente até acredita que, como eles mesmos disseram, as peles fossem certificadas e legalmente liberadas para este fim, mas ainda assim né, faltou bom senso.

Na pré-história, quando tudo o que o homem sabia era que precisava sobreviver, ele se vestia de peles de animais para se manter aquecido e se alimentava daquilo que caçava. Mas aquilo era o comportamento de um homem primitivo, que com o tempo foi descobrindo novas maneiras de sobreviver e as civilizações foram se formando e tudo aquilo que lemos nos livros de história.

O fato é que este tempo ficou para trás, e há muito que não precisamos mais nos vestir com peles de animais. Muito menos usar acessórios com as mesmas. Oras, há quanto tempo existem tecidos e materiais sintéticos para substituir as peles? Há quanto tempo se pensa em preservação de espécies? Há quanto tempo sabemos que se não preservarmos o pouco que nos resta, em breve não teremos mais de onde tirar nossa água e alimentos?

Então, né, por mais alienada que uma consumidora pode ser, a maioria da população mundial já sabe que é preciso tomar atitudes sustentáveis. Todos sabemos que temos muito mais do que realmente precisamos.

Então, amigos, fica a dica: Chique mesmo é ser Eco-friendly. Usar pele de animal é de extremo mau-gosto.

E duas regrinhas básicas na moda: Menos é mais. E bom-senso é tudo.