Audrey Hepburn e a propaganda do chocolate Galaxy

Eu já falei da admirável Audrey Hepburn aqui. Ela era linda, generosa, graciosa, gentil, caridosa, etc etc etc. E agora, ela reaparece em uma propaganda super gracinha do chocolate Galaxy.

A atriz infelizmente já faleceu há muitos anos, mas graças à tecnologia, a agência responsável pelo spot conseguiu recriar a atriz com perfeição. À primeira vista, chegamos a duvidar que seja tudo feito por computador, com uma tecnologia chamada Computer Graphic Imagery (também conhecida como CGI).

A trilha sonora da publicidade, é um trecho da música interpretada pela atriz no filme Bonequinha de Luxo, Moon River. Confira abaixo o spot.

 

 

Abaixo, o trecho original do filme Bonequinha de Luxo, onde a atriz – de carne e osso – interpretava Moon River.

Impressionante, não é?

Sandra Bullock veste Elie Saab no Oscar 2013

Eu não pretendia falar sobre o Oscar, já que temos tantos blogs de moda competentíssimos falando no assunto. Assisti ao evento como fã de cinema, sem querer criticar oficialmente o figurino nem beleza de ninguém.

Como todos os anos, muitas das celebridades estavam divinas, outras mais simplesinhas e outras erraram. Mas quem sou eu pre julgar? Se eu tivesse grana pra usar um Dior da vida, nem ia me incomodar de dar uma escorregadinha na hora de pegar meu prêmio de melhor atriz, se é que vocês me entendem.

Mas fiquei com vontade de comentar o look da Sandra Bullock. Caretas à parte, ela estava lindíssima naquele vestido Elie Saab.  Sou suspeita, pois tenho uma queda gigantesca por preto e rendas,fiquei apaixonada pelo vestido.

De corte simples e elegante, a grande beleza dele está na renda toda bordada (provavelmente à mão), e a transparência discreta. Deem uma olhadinha nas fotos abaixo, que achei no Celebrity Wonder.

Sandra Bullock veste Elie Saad no Oscar 2013 Sandra Bullock veste Elie Saad no Oscar 2013

 

E é por isso que decidi falar um pouco mais sobre o estilista. No site de Elie Saab temos a informação de que é um estilista libanês auto-didata, que desenvolveu seu interesse em fazer vestidos para suas irmãs aos 9 anos de idade.

Site Elie Saad

Segundo o wikipédia, ele lançou sua marca em 1982, aos 18 anos de idade, no Líbano, depois de passar o ano de 1981 em Paris. Ele vendia suas criações para as mulheres de seu bairro. Suas criações eram tão lindas que foram ganhando fama e atraindo mulheres da alta sociedade. Em 1999, a rainha Rania da Jordânia usou Elie Saab para sua coroação, e em 2000 foi convidado pelo sindicado da alta costura de Paris para apresentar suas coleções. Apresentava 4 coleções por ano, tanto da alta-costura, quanto do prét-a-porter.

Ele usa materiais nobres como tafetá, organza, cetim nobre e emparelhado com mais fluido e tecidos leves. Seus vestidos se tornaram um sucesso mundial depois que Halle Berry usou uma de suas criações no Oscar de 2002. A partir daí, várias celebridades já desfilaram as criações de Elie no tapete vermelho, como Angelina Jolie, Emma Watson, Amanda Seyfried, Jessica Biel, entre outras. E a linda da vez foi Sandra Bullock.

Quando eu crescer, quero ter pelo menos um Elie Saad no armário pra fazer a linda no Red Carpet. Quem não? 😉

 

O mito de Eros e Psiquê – parte 2

Como prometido, hoje conto pra vocês a segunda parte do mito de Eros e Psiquê. Na primeira parte, Psiquê trai a confiança de Eros e por isso é expulsa do palácio em que vivia com ele. Ela se vê de volta à montanha na qual foi deixada por sua família para se casar com Eros. Seu sentimento é de desespero e dor profunda.

Sem saber o que fazer para recuperar o amor perdido, a princesa passa a vagar pelo mundo. Desesperada tenta se matar e não consegue, vaga de cidade e cidade, maltrapilha e quase enlouquecida pelo desespero. Mas estava decidida a reconquistar a confiança de seu amado, e tinha dentro de si a força de quem ama. E por isso decide procurar um templo de Afrodite, a deusa do amor, e também sua sogra.

 Psyche at the Throne of Aphrodite de Edward Hale, 1883
Psyche at the Throne of Aphrodite de Edward Hale, 1883

E Afrodite não era uma sogra boazinha. Pelo contrário. A essa altura, já sabia que o filho a havia desobedecido casando-se com Psiquê, e tudo mais que aconteceu a partir daí. Ela estava furiosa com a esposa de Eros, e pronta para impedir que eles ficassem juntos novamente. Quando Psiquê foi procurá-la, Afrodite disse-lhe que somente a deixaria ver Eros novamente depois de passar por algumas tarefas. A ideia da deusa era que as tarefas fossem impossíveis, assim a jovem jamais veria seu filho de novo. Eros, por sua vez, se encontrava enfermo, ferido, sem saber o que acontecia.

No templo de Afrodite, a deusa deixou Psiquê em uma sala, onde havia uma montanha enorme, com todos tipos de grãos. Eles se encontravam misturados e a sala estava muito bagunçada. Psiquê teria que separar todos os grãos por tipos e organizá-los antes de anoitecer. Entendendo que sua tarefa era impossível, começou a chorar de desespero, quando viu se aproximarem várias formigas. As formiguinhas começaram a trabalhar separando os vários grãos. Com essa ajuda, Psiquê conseguiu cumprir sua primeira tarefa, para a surpresa de Afrodite.

A deusa não ficou muito contente, como podem imaginar, e tratou de passar outra tarefa para a princesa. A tarefa seguinte, era praticamente uma tarefa à altura de Hércules. Afrodite determinou que a jovem fosse até as margens de um rio onde carneiros de lã dourada pastavam e trouxesse um pouco da lã de cada um deles. Esses carneiros eram ferozes e não deixavam que ninguém chegasse perto deles para tocar em sua lã de ouro.  Mais uma vez Psiquê teve ajuda da natureza. Quando estava pronta para cruzar o rio, ouviu um junco dizer que não atravessasse até que os carneiros se pusessem a descansar sob o sol quente, quando ela poderia aproveitar e cortar sua lã.  Assim, Psique esperou até o sol ficar bem alto no horizonte, e, observando que os carneiros adormeciam, atravessou o rio e levou a Afrodite uma grande quantidade de lã dourada.

Certa de que a garota morreria ao tentar realizar a tarefa, Afrodite ficou ainda mais furiosa ao vê-la voltar com a lã dourada. Ela decide então que Psiquê deveria trazer para ela em uma jarra de cristal, a água da nascente do rio Estige. A nascente do rio ficava no cume de uma montanha muito íngreme e acesso praticamente impossível. O rio, era o mesmo que banhava o mundo dos mortos. Nascia no alto de uma montanha e em sua descida, desaparecia sob a terra, entrando no reino de Hades, para depois reaparecer novamente na superfície e indo desembocar perto de sua nascente. Por ser tão sombrio, o rio atraía todo tipo de criatura sinistra e sua nascente era guardada por perigosos monstros.

Psiquê se via sem escolha, e mesmo com o cansaço, a fome, o desespero e a tristeza que sentia, no fundo tinha esperança e foi enfrentar sua tarefa. Ela não sabia muito bem como começar, mas tratou de ir até a montanha e a escalar levando consigo a jarra de cristal. Escalava com as mãos e pés nus, que se feriam no tortuoso trajeto. A essa altura, Eros já havia se recuperado e há muito perdoado a mulher amada. Ele descobriu todo o sofrimento pelo qual Afrodite a estava fazendo passar e foi pedir ajuda ao senhor dos deuses, Zeus. Quando vêem, lá estava Psiquê escalando a montanha, com pés e mãos sangrando. Zeus, comovido,  envia sua águia de estimação para ajuda-la. A magnífica águia pega a jarra de cristal, voa até o rio, enche a jarra e a traz de volta para Psiquê. E assim, a princesa consegue realizar a terceira tarefa.

Inconformada, Afrodite decide que é hora de dar uma tarefa realmente impossível de ser realizada por uma simples mortal. Disse à princesa que por ter que cuidar de Eros que estava muito adoentado, tinha perdido um pouco de sua beleza, e ordena a Psiquê vá até o reino dos mortos e consiga com Perséfone um pouco do seu elixir de beleza. Sem ter ideia de como chegar ao mundo dos mortos, acreditava que a única maneira de ir até lá seria morrendo. Sobre então no alto de uma torre para se jogar, quando a própria torre a ajuda. A torre murmura instruções de como entrar em uma determinada caverna para alcançar o reino de Hades. Disse-lhe, que ao chegar lá, encontraria Caronte, o barqueiro do mundo inferior, que transportava a alma dos mostos na travessia do rio Estige até os reinos dos mortos. Ela teria que dar uma moeda a Caronte como pagamento pela travessia. Avisou também sobre o cão de três cabeças que guarda os portões do Hades, Cérbero, e, que, para passar por ele deveria alimentá-lo com apenas um pão, para que as cabeças briguem entre si, e com a distração ela possa passar com tranquilidade.

Assim Psiquê faz, e depois de uma longa jornada chega ao submundo. Comovida com o sofrimento da jovem, Perséfone entrega de bom grado um pouco do elixir de beleza que Afrodite solicitou, e adverte a Psiquê que não abra a caixinha em momento algum.

Psyche in the Underworld de Paul Alfred de Curzon e Psyche Opening the Golden Box de John William Waterhouse, 1903.
Psyche in the Underworld de Paul Alfred de Curzon e Psyche Opening the Golden Box de John William Waterhouse, 1903.

Psiquê teria completado com êxito a sua tarefa se não fossem a curiosidade e a vaidade. Convencida de que não estava tão bela quanto antes por causa das árduas tarefas, no caminho de volta, Psiquê ficou tentada em abrir a caixinha e usar um pouco daquele elixir. Afinal, seria tão pouquinho que Afrodite nem ia notar que ela tinha usado… E ela abriu a caixa. Como tudo que é referente aos deusas, aquilo não fora feito para os olhos humanos. Foi só dar uma olhada dentro da caixinha, que Psiquê desmaiou e caiu em sono profundo.

Ali teria sido seu fim, se Eros, já completamente curado, não tivesse voado ao seu encontro. Encontrou a amada já desacordada, fechou a caixinha colocando de volta lá dentro todo o elixir, e com um beijo fez a amada acordar do sono dos mortos que a havia acometido. Ela mal pôde acreditar nos seus olhos, ao abrí-los e ver que estava nos braços de seu amado. Eros a olhava entristecido, mas com profundo amor, e a aconselhou.

Eros e Psiquê de Antonio Canova

“- Mais uma vez a curiosidade te traiu, minha amada. A curiosidade e a vaidade. Mesmo cansada, sacrificada, eu te acharia bela, e não precisaria de artifícios de beleza para ter o meu amor. Agora pode cumprir esta última tarefa, mas jamais se esqueça das coisas importantes que aprendeu.”

L'enlèvement de Psyché de William Bouguereau
L’enlèvement de Psyché de William Bouguereau

Dito isto, Eros levou Psiquê até Afrodite. Psiquê humildemente entregou a caixinha a Afrodite, que ainda estava bastante enraivecida com tudo aquilo. Mas Eros havia já pedido ajuda a Zeus para que ajudasse a apaziguar o coração da deusa. Afrodite acabou aceitando a nora, e numa nova e lindíssima cerimônia, Eros e Psiquê casaram-se novamente, agora com o consentimento de todos os deuses do Olimpo. Zeus pediu a seu filho Hermes que desse Ambrosia à Psiquê, e a cerimônia não foi só um casamento, como também a aceitação de Psiquê como deusa. Agora, graças à Ambrosia, Psiquê também era imortal, uma linda deusa com asas de borboleta. Com o tempo, tiveram uma filha chamada Prazer.

Casamento de Eros e Psiquê
Marriage of Cupid and Psyche, 1744, Louvre
The Awakening of Psyche de Guillaume Seignac, 1904
The Awakening of Psyche de Guillaume Seignac, 1904

Eros – o amor, e Psiquê – a alma, são a expressão mais pura da união do amor e da alma. A alma só consegue conhecer a mais pura expressão do amor após se depurar com os sofrimentos que enfrenta. No início ela ama cegamente sem saber quem é de fato o marido. A luz do lampião ilumina, mas trás a luz a traição. E a reconquista da confiança perdida se dá à duras penas. Para que no fim, a verdadeira felicidade, venha com a verdade, a luz, o conhecimento do outro, o conhecimento de si mesmo e da própria força, e a aceitação do amado mesmo com seus defeitos.

Cupid and Psyche de Paul Baudry, 1892.
Cupid and Psyche de Paul Baudry, 1892.

Espero que tenham gostado e que este lindo mito os ajude, de alguma maneira, a refletir.

Beijos e até a próxima! 😉

 

 

O mito de Eros e Psiqu̻ Рparte 1

Detalhe da escultura “Eros e Psique”,de Antonio Canova, Museu do Louvre, Paris
Detalhe da escultura “Eros e Psique”,de Antonio Canova, Museu do Louvre, Paris

Este é um dos mitos que eu mais gosto na Mitologia. Uma história lindíssima de amor, onde a mocinha enfrenta várias dificuldades para finalmente merecer ficar ao lado de seu belíssimo amado. Mas como é uma longa história, vou dividir este mito em, pelo menos, duas partes.

A mocinha da história se chama Psiquê, uma princesa tão linda e graciosa, que foi capaz de despertar a inveja de Afrodite, a deusa do amor e da beleza. Psiquê era tão linda, que os pretendentes faziam fila na porta do palácio de seu pai, na tentativa de serem escolhidos por ela. No entanto, Psiquê não se interessava por ninguém dentre tantos homens, o que fez Afrodite sentir inveja e raiva. Inveja por ver tantos homens aos pés da princesa, quando ela mesma deveria ser honrada daquela maneira, e raiva por achar que Psiquê estava esnobando o amor, que era o que Afrodite regia.

Assim, Afrodite mandou seu filho Eros em uma missão.

Eros, conhecido pelos romanos como Cupido, era segundo as lendas, uma criança rechonchuda e alada que fazia tudo o que a mãe desejava. Um dia, Afrodite insatisfeita pelo filho não crescer nunca, conversou com Métis – a deusa da prudência, que a aconselhou ter outro filho. Este outro filho de Afrodite se chamava Anteros – era possivelmente filho da deusa com seu amante Ares – e  representava o oposto de Eros. Enquanto Eros era a representação do amor, Anteros (anti-eros) é a representação da antipatia, da aversão. Em outras versões do mito, Eros seria o erotismo, e Anteros o amor puro e recíproco. Assim, com a chegada de um irmão, Eros teve uma companhia e os dois cresceram juntos.

Mas voltando ao mito: A missão que Afrodite tinha dado ao filho era fazer com que a jovem Psiquê se apaixonasse pelo homem mais vil e mais asqueroso que aparecesse para cortejar a moça. Então, quanto a princesa dormia, Eros (agora já adulto) entrou em seu quarto para lançar nela uma de suas flechas do amor, mas ficou tão estasiado com a beleza dela que tropeçou e acabou se ferindo na própria flecha. Se apaixonou perdidamente por ela, e não levou a fim a missão que a mãe havia determinado.

O rei tinha outras duas filhas, que não eram tão belas quanto Psiquê, mas já haviam se casado. Preocupado com o futuro da filha, o rei decidiu consultar o Oráculo de Delfos, também conhecido como Oráculo de Apolo, onde a pitonisa fazia previsões certeiras.

O Oráculo era sempre enigmático e temido, então tudo o que fosse por ele determinado, os gregos obedeciam sem questionar. Aconteceu que o Oráculo determinou que Psiquê deveria ser vestida com trajes de casamento e levada até o alto de um rochedo, onde um monstro viria buscá-la.

Com muito pesar o rei assim o fez, e com um triste cortejo de casamento, levou a jovem e bela princesa ao seu destino. Todos despediram-se dela com lágrimas nos olhos, inconformados com o destino da bela moça. Aos poucos todos foram indo embora e Psiquê foi ficando sozinha. Depois de muito chorar, se conformando com seu destino, caiu no sono. Só então o “monstro” apareceu.  O “monstro” era Eros. Apaixonado, determinara ao Oráculo de Delfos aquela previsão, para que pudesse levar a princesa para viver com ele, sem que sua mãe soubesse. Se Afrodite descobrisse, quem iria sofrer as consequências seria a mortal.

Anton van Dick – Amor e Psiquê
Anton van Dick – Amor e Psiquê 1638
Óleo sobre tela Kensington Palace Royal Collection, London

Com ajuda de Zéfiro, deus da brisa suave, Eros levou a amada então adormecida até um lindo vale, e delicadamente a colocou deitada sobre flores. Quando acordou, Psiquê se viu sozinha neste lindo lugar, e ao procurar descobrir onde estava e se havia alguém ali, encontrou um magnífico palácio.

Eros e Psiquê e Psique Entrando no Jardim de Cupido. Ambos de William Bouguereau
Eros e Psiquê e Psique Entrando no Jardim de Cupido. Ambos de William Bouguereau

Neste palácio não viu ninguém. Mas ali estavam ajudantes invisíveis que a serviam e realizavam todas as suas vontades. Deles, só ouvia as vozes. Acreditou estar no paraíso, realmente. Quando a noite chegou e o palácio escureceu, foi conduzida até seu quarto. Ali, temeu que finalmente encontraria o mostro que a devoraria, e estremeceu quando alguém que não pode ver entrou no quarto.

Mas para sua surpresa, a voz daquele homem era suave e palavras eram doces. A tratou com carinho e amor, e aos poucos a princesa foi perdendo o medo e se sentindo segura nos braços do homem que não conseguia ver o rosto deviso à escuridão. Seu marido havia sido maravilhoso com ela, e ela mal podia acreditar. Adormeceu feliz, mas na manhã seguinte, estava sozinha. Isto se repetiu por várias noites, e apesar de desejar conhecer o rosto de seu marido, se sentia feliz.

Mas o tempo foi passando e ela começou a se sentir solitária. Se sentia presa e implorava ao marido que a deixasse ver as irmãs, pelo menos. Ele negou até que não pôde mais suportar a infelicidade da esposa, e decidiu deixar que as irmãs dela a visitassem, com a condição de que, não importava o que acontecesse, ela nunca tentaria descobrir sua identidade verdadeira.

Ao chegarem no palácio, elas a invejaram imediatamente. Passaram o dia com Psiquê, conversando, bebendo e comendo o que havia de melhor, alegremente. Mas a inveja falou mais alto, e, quando Psiquê deixou escapar que ainda não tinha visto o rosto do esposo, as duas invejosas começaram a incutir a dúvida na cabeça da irmã. “E se ele for um ser monstruoso? Mais cedo ou mais tarde pode te devorar!” – elas diziam. Acabaram aconselhando que tentasse ver o rosto do marido quando estivesse dormindo.

Assustada com o que as irmãs disseram, uma noite esperou o marido adormecer, e se aproximou dele com um lampião em uma das mãos e na outra uma faca – para o caso das irmãs terem razão. Quando viu o rosto do marido pela primeira vez ficou tão encantada que paralisou. Era o ser mais lindo que havia visto, tão lindo que não poderia ser simplesmente um homem. Se aproximou ainda mais segurando o lampião, e pode ver melhor seus lindos traços, cabelos sedosos e percebei que possuía lindas asas. Entendeu que se tratava de Eros e não podia estar mais feliz. Era amada pelo próprio deus do amor!

Psyché et l’Amour Endormi, Peter Paul Rubens, 1636
Psyché et l’Amour Endormi, Peter Paul Rubens, 1636

Em sua alegria, sem querer deixou uma gota de óleo quente cair na asa de seu amor, causando uma forte dor e acordando-o. Ao perceber a traição, Eros sentiu raiva e foi embora voando, dizendo as seguintes palavras:

“- Tola! É assim que retribui o meu amor? Desobedeci as ordens de minha mãe te tornando minha esposa,  e ainda assim achava que eu fosse um monstro e estava disposta a me matar? Vai. Volta para junto de tuas irmãs, cujos conselhos parece preferir aos meus. Não lhe imponho outro castigo, além de deixar-te para sempre. O amor não pode conviver com a suspeita!”

Isto deixou a princesa arrasada. Quando viu já não estava mais no lindo palácio e de volta àquela montanha onde havia sido deixada por seus familiares. Tomada de dor começou a vagar sem saber o que fazer, e é aqui que começa o seu martírio para reconquistar seu amado e voltar a viver ao seu lado.

Semana que vem eu conto o resto. 😉

Beijos e até lá.

 

História da Arte – A Mesopotâmia

Terra entre dois rios é a tradução literal do nome Mesopotâmia, a terra que fica entre o Tigre e o Eufrates.  Terra onde vários povos viveram e o estudo de suas culturas é de grande importância, representando um dos alicerces das nossas civilizações.

Entre os povos que viveram lá estão: Os Sumerianos, os Acadianos, os Fenícios, os Babilônicos, os Assírios, os Filisteus, os Hebreus, os Cadeus, os Medos e os Persas. Quer dizer, uma galera né? Mas não viviam ali todos ao mesmo tempo e pacificamente não. Sempre aconteciam invasões e guerras. Por exemplo: os sumerianos e acadianos que ali viviam por volta de 3000 a.C. foram expulsos a ponta-pés pelos babilônicos. Na verdade a região sempre foi marcada por conflitos, e isso se dá até os dias atuais pra dizer a verdade. A Mesopotâmia nada mais é do que a região do Iraque. A galera ali não se entende. E eu acho que isso já resume tudo né?

Mas vamos falar de arte, que é o objetivo deste artigo.

Por não possuírem muitos recursos materiais, se utilizavam principalmente do barro. Ainda assim foram capazes de desenvolver uma arquitetura de destaque. Além de se utilizarem de cerâmica em suas obras, utilizavam muito o vidro, madeira, ouro, lápis-lázuli, madrepérola e conchas. Na Mesopotâmia a ourivesaria era uma das atividades artísticas mais importantes. Eles produziam estatuetas de cobre, colares e braceletes,  utensílios trabalhados em ouro e prata com incrustações de pedras. Esses objetos traduziam estilos variados dada a diversidade de povos que ocuparam a região. Os persas foram os que obtiveram um notável desenvolvimento na produção de objetos de cerâmica. Eles utilizavam também tijolos esmaltados.

 

A arquitetura mesopotâmica se destaca pelo exibicionismo e luxo. Apesar de não ser tão notável quanto a arquitetura egípcia, os povos mesopotâmicos foram capazes de construir palácios e templos. Estes templos eram chamados de zigurates, que lembram um pouco as pirâmides egípcias em seu formato. Os zigurates eram torres de vários andares, realizados através de repetidas camadas de tijolo formando seções de planos inclinados até o topo. Estes templos porém não tinham função de sepulcro como as pirâmides egípcias. Eram grandes altares em honra aos deuses.

Desenho esquemático de um Zigurate
Desenho esquemático de um Zigurate

Apesar de magnífica, a arquitetura deles era bastante perecível devido à matéria prima utilizada: a princípio tijolo cru, e mais adiante tijolo cozido.

Eles não eram grandes pintores. Na verdade é difícil saber pois pouco resistiu ao tempo para que pudesse ser estudado nos dias de hoje. Havia uma grande dificuldade na conservação, visto que a matéria prima que tinham em mãos era muito perecível. Mas é importante ressaltar a técnica de esmaltação de tijolos. Muitas das paredes tinham seus tijolos tingidos, e a cor predominante era o azul.  Diz-se que o nome azulejo vem daí.

A Porta de Isthar do palácio da Babilônia é um dos principais legados desta época. Hoje ela se encontra recomposta em dimensão reduzida no Museu de Pérgamo de Berlin. E ainda assim é grandiosa.

Porta de Isthar do Palácio da Babilônia hoje no Museu de Pérgamo em Berlim
Porta de Isthar do Palácio da Babilônia hoje no Museu de Pérgamo em Berlim. Fotos tiradas do site do museu.

Na escultura a predominância era dos baixos relevos feitos em placas de pedra. Os assírios costumavam usar gigantescas esculturas de touros alados nas entradas dos palácios. Eram chamados de Lamassu e tinham cabeça humana (representando a sabedoria), corpo de touro (representando a força) e asas ( que representavam liberdade). Os Lamassu eram como guardiões dos palácios. Existem exemplares originais no Museu Britânico e no Museu do Louvre. Já tive a oportunidade de ver de perto e são impressionantes. 🙂

Lamassu no Museu Britânico. Foto do acervo pessoal.
Lamassu no Museu Britânico. Foto do acervo pessoal.

Ainda no campo das esculturas, o Sumerianos deixaram ídolos com grandes olhos, feitos em terracota. Para ele os olhos eram a janela da alma e por isso os representavam em tamanho exagerado.

Vale citar também os famosos Jardins Suspensos da Babilônia. No período de Nabucodonosor, o palácio da Babilônia tinha seus terraços ornamentados por ricos jardins irrigados por complexos sistemas hidráulicos.

Segundo o Wikipédia, “Os Jardins Suspensos da Babilônia foram uma das sete maravilhas do mundo antigo. É talvez uma das maravilhas relatadas sobre que menos se sabe. Muito se especula sobre suas possíveis formas e dimensões, mas nenhuma descrição detalhada ou vestígio arqueológico foi encontrada, exceto um poço fora do comum que parece ter sido usado para bombear água. Seis montes de terra artificiais, com terraços arborizados, apoiados em colunas de 25 a 100 metros de altura, construídos pelo rei Nabucodonosor II, para agradar e consolar sua esposa preferida Amitis, que nascera na Média, um reino vizinho, e vivia com saudades dos campos e florestas de sua terra.”.

 

Representação dos jardins suspensos da Babilónia, como imaginados por Martin Heemskerck. Na pintura, a Torre de Babel aparece ao fundo.
Representação dos jardins suspensos da Babilónia, como imaginados por Martin Heemskerck. Na pintura, a Torre de Babel aparece ao fundo.

 

Acho impressionante como o homem é capaz de criar coisas incríveis a partir do zero. Com tão poucos recursos, os povos mesopotâmicos fizeram um grande avanço culturalmente e socialmente, com seus palácios que mostravam status, seus templos magníficos para cultuar as forças divinas, a criação de seu próprio estilo nas manifestações artísticas e o desenvolvimento de coisas belíssimas como os azulejos, o vidro e objetos de ourivesaria.

Daqui a 15 dias voltarei falando sobre o Egito. O que dará muito pano pra manga e provavelmente não vai dar em um post só. Até lá!

 

Referências Bibliográficas:

. FERREIRA, Hélio Márcio Dias. Uma História da Arte ao Alcance de Todos. Rio de Janeiro: Publit Editora, 2006.

. Wikipédia

 

 

 

Charlotte Olympia lança coleção de Valentine’s Day

Como muitos já sabem o dia dos namorados oficial dos países do hemisfério norte é dia 14 de fevereiro, o dia de São Valentim (Valentine’s Day). E para comemorar a data, a cobiçadíssima marca de sapatos inglesa Charlotte Olympia decidiu lançar uma mini coleção bem irreverente. São 6 modelos com inspiração romântica. E claro, saltos altíssimos, seguindo o slogan da marca “The higher the heel, the better you feel!” (Quanto mais alto o salto, melhor você se sente!). Os sapatos criados por Charlotte Dellal são feitos à mão na Itália, usando materiais finos e são sempre muito femininos.

Dêem uma olhadinha na coleção de Valentine’s Day 😉

Fotos do site da marca.

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Dionísio – o deus do vinho

Baco, pintura de Caravaggio, na Galleria degli Uffizi, Florença
Se tem um deus que curtia uma bela festa, esse deus era Dionísio. Fruto de uma das milhares de puladas de cerca de Zeus, Dionísio era filho do senhor dos céus com uma mortal,a princesa de Tebas, Sêmele. O que faria dele um semi-deus se não fossem as peculiares circunstâncias de seu nascimento.

Zeus, esse sem-vergonha, havia se apaixonado por Sêmele e quando a engravidou disse a ela que pedisse o que quisesse, sob o juramento que não importava o que fosse, realizaria seus desejos. Hera sabendo de mais essa escapadela de Zeus, não deixou por menos. Confundiu a pobre mortal, fez com que ela suspeitasse de Zeus, e incutiu na cabeça da moça a ideia de pedir para Zeus se mostrar em sua verdadeira forma. Coitada. O fato é que os olhos humanos não suportariam ver todo o esplendor de um deus, mas Zeus não achou meio de quebrar sua promessa. Sua verdadeira forma, envolto em uma luz divina, com sua carruagem e trovões, fez com que Sêmele morresse instantaneamente. Ela estava grávida ainda de seis meses e, para salvar a vida do filho, Zeus o colocou dentro de sua coxa até que findasse o tempo da gestação.

No tempo do bebê nascer, ele entregou a criança para algumas ninfas que o criaram. Ao crescer se interessou pela cultura da uva. Foi o primeiro a plantar e cultivar as parreiras, assim o povo passou a cultuá-lo como deus do vinho.

Ele é aquele amigo de festa, sabe? Aquele que por onde passa leva babado, confusão e gritaria. Aquele amigo que vive bêbado, todo mundo tem um. Esse é Dionísio, um verdadeiro pudim de cachaça. Representado pelos artistas como um jovem sem barba, risonho (por causa do vinho, com certeza), alegre, festeiro, com cabelos cacheados, longos e desgrenhados, sempre levando uma taça e/ou cacho de uvas. Vestia pele de leopardo ou leão, ou aparecia nu. Na cabeça levava sempre uma coroa feita de pâmpanos, ou seja, a haste da videira, com suas folhas e frutos (uva).

Baco, de Leonardo da Vinci, no Museu do Louvre.

Estava sempre acompanhado de um longo séquito. Seus seguidores eram principalmente as ménades e os sátiros. As ménades era um grupo de moças bêbadas, enlouquecidas, que dançavam de maneira lasciva e não tinha o raciocínio claro. E os sátiros eram homens com pernas de bodes e chifres. Também loucos, bêbados e um tanto quanto cruéis em suas brincadeiras.

Dionísio tinha o nome de Baco entre os romanos. Suas seguidores eram conhecidas por bacantes e as festas em homenagem à Baco/ Dionísio levavam o nome de Bacanal.
Era algo muito parecido com o que vemos acontecendo hoje no carnaval. Muita gente bêbada, louca, ninguém é de ninguém e muito bunda lelê. Muito provavelmente Dionísio deve estar por aí com seu grupo de doidos nos bloquinhos do Rio de Janeiro tocando o terror no meio do povão. Porque é disso que o querido e bêbado deus gosta. Festa, babado e confusão.

O jovem Baco (1884) de William-Adolphe Bouguereau
O jovem Baco (1884) de William-Adolphe Bouguereau representando um verdadeiro bacanal
Bacchante (William-Adolphe Bouguereau, 1894)
Uma ménade (ou bacante), ligeiramente alegrinha.

Feliz carnaval galera! Usem camisinha.

Inspirações para o Carnaval

Começam – oficialmente – as comemorações de carnaval por todo o país (com exceção da Bahia, claro, afinal lá o carnaval é o ano todo). Então aí vai uma seleção de fotos do pinterest para inspirar as fantasias, maquiagens e etc.

Com ou sem fantasia, comemorem muito com muita alegria, mas com juízo, saúde e paz, tá?

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Obs.: As fotos acima não são de propriedade do blog. São apenas uma seleção de fotos bacanas que encontramos no pinterest. Caso os proprietários das fotos desejem que alguma seja retirada do ar, entre em contato.