Mitologia Grega – Io

O tema de hoje na nossa série de mitologia grega é a princesa mortal Io, uma das inúmeras amantes de Zeus e vítima da furiosa esposa traída Hera. Em algumas versões, diz-se que ela é filha do deus do rio Ínaco (que por sua vez é filho de Oceano e Tétis). Io era uma linda princesa de Argos e sacerdotisa do templo de Hera, por quem Zeus se encantou e tomou como amante. Ao contrário do que se vê no remake de Fúria de Titãs de 2010, Io nada tem a ver com Perseu e aquela confusão toda lá que criaram nessa versão do filme. Lembrando que no filme original de 1981, a personagem sequer fazia parte da história, que deveria ser a história de Perseu como na mitologia. Nela ele acaba se casando com Andrômeda mesmo, mas isso eu conto depois.

Gemma Arterton como Io em Fúria de Titãs (2010). Linda, mas nada a ver com o mito em si.
Gemma Arterton como Io em Fúria de Titãs (2010). Linda, mas nada a ver com o mito em si.

Como todas as mortais que tiveram o azar de chamar a atenção de Zeus por sua beleza, Io sofreu um bocado as consequências da infidelidade de Zeus. Quando o senhor dos deuses se apaixonou pela jovem, fez de tudo para possuí-la. Ela, por sua vez, fez de tudo para escapar do deus. Como sacerdotisa, principalmente de Hera, era inadmissível tal traição, e sabendo das consequências que sofreria, fugiu o quanto pôde. Para que Hera não o visse perseguir a moça, já que a senhora dos céus observava tudo de lá do alto, Zeus cobriu o céu de nuvens cinzentas e perseguiu a moça. Io sendo tomada por Zeus em forma de nuvem. De Antonio da Correggio

Finalmente a alcançou e a seduziu, mas Hera desconfiou daquela nuvem que cobria somente a cidade de Argos, na península do Peloponeso, enquanto toda a Grécia se encontrava ensolarada. Hera conhecia bem demais seu marido pulador de cerca, e teve a certeza de que este era apenas mais um de seus subterfúgios e partiu para o local. A esta altura, Zeus já havia consumado o ato, e para esconder a jovem a transformara em uma novilha.

Hera descobrindo Zeus com Io - Pieter Lastman (1618)

Quando Hera chegou ao local, deu de cara com Zeus se fazendo de santo ao lado de uma novilha branquinha. Hera sabia que ali tinha coisa, afinal, porque o marido estaria tão interessado no animal. A bela novilha tinha um olhar quase humano, e Hera teve a certeza que era mais uma amante de Zeus. Sem criar confusão ou escândalos, Hera, ainda mais engenhosa que o marido, pediu de presente o animal. O senhor dos deuses não tinha desculpas para recusar sem acabar denunciando seu crime, então concedeu a novilha a Hera.

Para que Zeus não roubasse novamente sua sacerdotisa metamorfoseada em novilha, Hera entregou o animal para o gigante de cem olhos que lhe servia, e que possuía um nome igual ao da cidade: Argos Panoptes. O gigante Argos jamais dormia completamente. Seus 100 olhos jamais se fechavam ao mesmo tempo. Quando dormia, 50 deles permaneciam abertos para vigiar Io. A jovem em forma de novilha sofria por demais com sua nova condição, e aproximando-se do rio, seu pai, tentou explicar o que lhe havia acontecido. Sem poder falar, Io escreveu seu nome com seu casco para que seu pai pudesse saber que era ela. Os dois sofreram muito.

A essa altura, Zeus já sentia peso na consciência pelo mal que havia feito à moça. Pediu ao filho Hermes que a libertasse. O astuto e ligeiro deus, para poder derrotar o gigante, precisou de uma estratégia já que o monstruoso ser jamais dormia. Levou uma flauta consigo, e com uma melodia muito doce e suave conseguiu fazer com que o monstro adormecesse completamente. Com isso agiu rápido. O matou e libertou a novilha que se encontrava amarrada a uma árvore na beira do rio.

Hera ficou furiosa. Não importava muito para ela se a coitada havia sido raptada e forçada por um deus a quebrar seus votos de castidade. O fato é que seu marido a havia traído e a jovem também. Afinal era sua sacerdotisa e isso era inadmissível. Além disso, seu fiel servo Argos havia morrido por isso. Para homenagear Argos, Hera enfeitou seu animal favorito, o pavão com os cem olhos do gigante, colocando-os em sua cauda. Já Io, por sua vez, seria atormentada até não poder mais por um mosquito desses que pica o gado em tempo quente.

O tal mosquito de grandes proporções e extremamente inconveniente perseguiu o pobre Io de um país a outro, sem parar.  Ela percorreu as costas do mar Jónico (Iónico, nome em homenagem a Io). Atravessou a nado o estreito que liga o Mar Negro e o Mediterrâneo, subiu o Monte Cáucaso, onde encontrou Prometeu, acorrentado à rocha, se apiedou do titã, mas não pôde parar. Seguiu fugindo e chegou até ao Nilo, onde a pobre novilha, sem forças, se ajoelhou e pediu a Zeus que a ajudasse.

Zeus já com  a consciência pesadíssima, jurou a Hera pelo Rio Estige (juramento sagrado que jamais pode ser quebrado) que se tornaria um marido melhor se Hera libertasse Io dos tormentos e a permitisse voltar a forma humana. Diante de tal juramento, Hera permitiu que Io voltasse a sua forma humana e deixou de persegui-la como Zeus havia pedido.

Diz-se que Io foi feita deusa no final das contas, como merecimento por tudo que havia passado, e o filho que teve com Zeus chamava-se Épafo, nasceu à margem do Rio Nilo onde Io fora liberada, e posteriormente se tornou um rei do Egito.

Io sofreu um bocado, mas acabou tendo um final feliz e as devidas compensações. Depois vou contar pra vocês o que Prometeu estava fazendo acorrentado à rocha no alto do Monte Caucáso e toda a história de Perseu, Andrômeda, a Medusa e etc. Até a próxima! 😉

Bazar Beneficente no Galeria Café

 

SantFadas

 

Olá queridos e queridas! Este é um avisozinho rápido pra quem mora no Rio de Janeiro ou só está de passagem. Neste sábado, dia 25/05, vai rolar um evento super bacana lá em Ipanema, no Galeria Café. É um bazar beneficente em prol dos animais do Santuário das Fadas. Vai ser uma ótima oportunidade pra conhecer um dos locais mais bacanas de Ipanema, fazer umas comprinhas, quem sabe até já antecipar o presente de dia dos namorados e de quebra ainda ajuda uma instituição super legal. Se eu fosse vocês dava um pulo lá.

Abaixo, mais sobre o Santuário das Fadas e todo o serviço do evento. Não percam! 😉

 

Fundado em 2008 pela médica veterinária Patrícia Fittipaldi, o Santuário das Fadas abriga animais vitimas da exploração, abuso, maus tratos e todo tipo de crueldade.
Sem receber ajuda do governo, o Santuário se mantém com doações de colaboradores e parceiros.
No Santuário, os animais permanecem pelo resto de suas vidas recebendo tratamento digno, respeito e amor.
Hoje, são cerca de 150 animais de diversas espécies.
Participe do Bazar Beneficente e nos ajude a dar continuidade ao projeto, salvando mais vidas inocentes.
Conheça o trabalho e as histórias dos animais do Santuário das Fadas.

Visite o site: www.santuariodasfadas.org

Bazar Beneficente em prol do Santuário das Fadas

Próximo sábado – 25 de Maio

De 11h às 19h
Mezanino do Café Bazar – Rua Teixeira de Melo, 31 – Ipanema – Rio de Janeiro
P.S.: Por se tratar de um bazar beneficente só será aceito dinheiro ou cheque.

O Mito de Orfeu e Eurídice

Bom dia queridas e queridos fãs de mitologia. Esta semana, aqui no blog, o tema é o mito de Orfeu e Eurídice.

Essa história de amor é uma das mais lindas e emocionantes para mim. Quando a li pela primeira vez, ainda criança, fiquei tocada com a dedicação de Orfeu por sua amada, e entristecida com o destino desses dois corações. Esse mito é bastante popular e já foi tema de peças e filmes. Lembram do filme “Orfeu” com o Toni Garrido? É baseado neste mito, com as devidas adaptações à realidade das favelas cariocas.

Mas a versão que vou contar para vocês é aquela que envolve deuses, seres extraordinários e tudo que faz dos mitos histórias tão encantadores como verdadeiros contos de fada. Espero que gostem!

Orfeu e Eurídice, Louis Ducis

Orfeu era um jovem poeta e músico extremamente talentoso que encantava a todos quando tocava sua lira. A todos mesmo. Dizia-se que era capaz de encantas os animais mais selvagens, como serpentes e leões que se deitavam a seu lado para ouvi-lo tocar e cantar. Suas melodias eram doces e hipinóticas e dizia-se que tudo se devia ao fato dele ter herdado o talento de seus supostos pais, a musa Calíope e o deus Apolo, e que a lira que carregava consigo era presente do próprio pai.

Muitas moças se apaixonavam por ele, mas ele nunca deu muita importância, até que um dia bateu os olhos em Eurídice. A tímida jovem tinha feições delicadas, sedosos cabelos e olhar doce, transmitindo uma pureza e uma leveza que Orfeu sempre desejou encontrar. Se apaixonaram imediatamente um pelo outro e decidiram se unir em casamento. A festa foi belíssima, e a felicidade dos dois era contagiante. Aquele amor era do tipo raro, eterno, uma benção dos deuses. Mas infelizmente o deus dos casamentos Himeneu previu, com muita tristeza, de que muito em breve essa felicidade iria sofrer abalos.

Alheios ao que o destino lhes reservava, o casal seguiu seus dias felizes como se jamais viu. Gostavam de passear pelos bosques onde Orfeu cantava e tocava para sua amada que dançava e brincava, colhendo flores e apreciando a vida. A vida deles era simples e feliz. Não faltava nada, e sobrava amor. Um determinado dia, porém, Eurídice passeava sozinha pelos bosques. Orfeu não estava muito longe, mas trabalhando. Ela colhia suas adoradas flores quando um caçador chamado Aristeu a vê e ali sozinha e a deseja. Ele sabia quem era Eurídice e sabia da fidelidade do casal, então tenta agará-la a força. Eurídice consegue fugir deixando cair seu cesto de flores e frutos, correndo em desespero. Ela tropeça em uma cobra e cai, sendo atacada imediatamente pela cobra que a mata.

Orfeu e Euridice, Corot
Orfeu e Euridice, Corot

Orfeu imediatamente sente que tem algo errado e vai procurar a amada no bosque de costume. Ele corre procurando por ela e quando vê seu cesto caído e ela desaparecida imediatamente tem a certeza de que algo está errado. Encontra Eurídice moribunda mais adiante, envenenada, prestes a dar o último suspiro. Ele pega seu corpo sem forças nos braços e chora com desespero implorando que a amada não o deixe. Ela dá seu último olhar em despedida, e finalmente a vida deixa seu corpo. Orfeu é só sofrimento. Grita em desespero, tenta cantar para fazê-la voltar a vida, chora em dor, tudo em vão. A partir daí fica obstinado em trazê-la de volta a vida. E eis que começa a sua jornada.

A sua música sempre lhe abriu portas. E desta vez será sua música que lhe abrira as portas do Tártaro. Orfeu, angustiado, vaga durante dias e noites em busca da entrada do inferno, onde planeja ir buscar sua amada. Após perambular por florestas e encostas íngremes, finalmente encontra uma das entradas do reino de Hades, uma gruta que fica ao pé do monte Tênaro. Obstinado em sua busca ele adentra as sombras de onde só sairia se pudesse levar consigo sua esposa.

Ao chegar à beira do rio Estige, chama o barqueiro Caronte, que nega lhe transportar pois não transporta vivos. Orfeu toca suas mais lindas melodias, o barqueiro se compadece, e numa rara exceção o transporta para o outro lado. Caronte só faria isto mediante pagamento, mas no caso de Orfeu, foi a música que lhe abriu o caminho. Do outro lado do rio, diante do raivoso cão de três cabeças Cérbero, Orfeu mais uma vez usa sua infalível música acalmadora de feras para domar o monstruoso cão.

Cérbero adormece e Orfeu passa, e indo até as profundezas, o poeta fica finalmente frente a frente com o grande juiz, o senhor do reino dos mortos Hades. Ao seu lado a bela Perséfone, esposa de Hades. Orfeu lhes implorou pelo retorno de seu amor, mas os deuses afirmaram que nada podiam contra a resolução das três Moiras. Não se dando por vencido Orfeu mais uma vez se utilizou de sua música e lhes canta tudo o que viveu. Desde sua belíssima história de amor, o encontro de almas gêmeas, até a morte de sua amada que tão prematuramente lhe fora arrancada dos braços. Perséfone se compadece e Hades acaba cedendo. Afinal entende perfeitamente o amor e o desespero que é perdê-lo. Ele próprio desafiou a vontade dos deuses ao raptar Perséfone.

Orfeu diante de Plutão e Prosérpina, François Perrier
Orfeu diante de Plutão e Prosérpina, François Perrier

Hades e Perséfone consentem que Eurídice retorne a superfície com Orfeu. Eurídice é trazida à presença deles e quando vê Orfeu, seu semblante se ilumina, ela que estava ferida e abatida. Infelizmente os amantes são impedidos de se abraçarem, afinal ela é apenas um espectro. Para que o retorno de Eurídice a superfície dê certo, Orfeu precisa passar por apenas mais uma prova. Prova esta que parece muito simples, mas é mais difícil do que o poeta poderia imaginar. Eurídice deveria seguir Orfeu em seu caminho de volta, e Orfeu jamais poderia olhar para trás. Nem mesmo para se certificar que sua esposa o seguia. Ele teria que confiar na palavra dos deuses.

Como todos os deuses amavam aquele belo casal, ficaram felizes em poder ajudá-los. Hermes, o mensageiro dos deuses foi alegremente encarregado de acompanhá-los em segurança à superfície. O início da jornada foi tranquilo e feliz. Orfeu finalmente teria sua amada de volta e Eurídice o seguia com alegria no coração. Mas o caminho até a superfície era longo e como Orfeu não ouvia os passos de Eurídice atrás de si (afinal ela era apenas um espírito), seu coração começou a se angustiar e sua cabeça a se encher de dúvidas.

Faltavam poucos passos para chegarem à luz. A dúvida e o amargor crescia no peito de Orfeu. Hermes o dizia para resistir, mas a curiosidade e o medo de sua amada não o estar seguindo foi mais forte que sua própria vontade. Quando estavam alcançando a superfície, quase saindo da gruta por onde entrou, Orfeu olhou para trás. Sentiu júbilo de alegria por uma fração de segundo, e então o horror tomou conta de si. Ali estava Eurídice atrás dele, quase se tornando humana novamente, linda… Os deuses haviam cumprido sua promessa. Mas seu imperdoável erro fez com que Eurídice fosse perdida novamente. No instante em que se olharam, com horror no olhar Eurídice sentir que estava sendo puxada para trás. Gritou em desespero e desapareceu na escuridão.

Orfeu e Eurídice, Russell
Hermes guia Orfeu, que perde Eurídice pela segunda vez.

Hermes, colocou a mão no ombro de Orfeu que já queria se jogar novamente na escuridão atrás de Eurídice e disse… “Ah, Orfeu… eu sinto muito…”

Entendendo o que havia feito, Orfeu não conseguiu perdoar a si mesmo. Havia perdido pela segunda vez o amor de sua vida e os deuses não o ajudariam novamente. Passou a vagar, sujo e maltrapilho, desesperado e amargurado. Todos o reconheciam, o tratavam o melhor que podiam, lhe davam comida e abrigo. Era uma pena que um jovem cantor tão adorado por todos sofresse daquela maneira.  Se tornou solitário e sempre fiel à memória da esposa. Era ela quem amava e morreria por ela. E de fato foi isso que aconteceu. Um dia, algumas seguidoras de Dionísio, as Bacantes (também chamadas de Mênades), decidiram seduzi-lo. Ele as recusou se mantendo fiel a Eurídice. As bacantes ficaram furiosas, e descontroladas como eram, não pensaram muito e o assassinaram, fazendo seu corpo em pedaços.

A Morte de Orfeu, por Emile Levy
A Morte de Orfeu, por Emile Levy

Os deuses que adoravam Orfeu, punem as assassinas transformando-as em carvalho. As musas, reúnem os pedaços do corpo de Orfeu lhe dando uma digna sepultura no monte olimpo, ao lado de uma sepultura que decidem fazer para Eurídice também.

Os eternos apaixonados agora estão reunidos no mundo dos mortos. Seus espíritos vão para os belíssimos campos Elísios, onde podem desfrutar da felicidades de sua união, que não puderam concretizar quando faziam parte do mundo dos vivos.

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Linda história, não? Apesar de tudo, o final foi feliz. E a dedicação de Orfeu por Eurídice e algo muito raro de se encontrar e até difícil de se acreditar.

Espero que tenham gostado. Até a próxima! 😉

 

Tend̻ncia Veṛo 2014 Рlistras, o bicolor e grafismos

A inspira̤̣o desta semana ̩ uma forte tend̻ncia para a primavera/veṛo 2013 Р2014, que ṣo as listras, o preto e branco, o vermelho e branco, o azul e branco, os grafismos, ou seja, tudo que for bicolor.

Algumas das mais importantes marcad de moda mundial como Marc Jacobs, Moschino, Louis Vuitton, Dolce & Gabbana, Michael Kors, Tommy Hilfiger, entre outros apostaram nesta tendência e lançaram campanhas belíssimas que brincam com o efeito visual que estes grafismos dão. Veja abaixo algumas das mais lindas fotos, algumas nos deixam até meio confusos, mas o efeito é sensacional!

 

Moschino

Louis Vuitton

Marc Jacobs

Dolce e Gabbana

Michael Kors
Tommy Hilfiger

 

Video “The Next Day” de David Bowie

Cara, David Bowie é muito legal né? Divertido, louco, bizarrinho, adjetivos que combinam bem com o novo vídeo do single “The Nexte Day”.

Abaixo o video bizzarinho que conta com Gary Oldman e Marion Cotillard. Vale a pena assistir. E o sonzinho é bacana (lógico, é Bowie!), e o cara ainda agradece Gary e Marion no fim e plim, some. Olha só!