Meu novo blog – Cyn Cardoso

Olᡠpessoal, tudo bem? Lembra que postei aqui que estaria retomando as atividades do blog? Pois é, agora eu tenho um novo espacinho virtual, o CynCardoso.com.br!

Ele segue mais ou menos a mesma linha daqui do Democracia Fashion, porém com uma pegada um pouco mais pessoal. Lá falo sobre coisas que gosto e indico para vocês, dou dicas, publico meus contos e minhas experiências pessoais. É um cantinho que tem mais a “minha cara”, podemos dizer assim.

Minha ideia é deixar o Democracia Fashion aqui disponível para que vocês continuem acessando meus artigos antigos, pois sei que muitos ainda procuram meus textos. E também eu ainda tenho um projeto futuro de voltar a produzir textos para cá.

Deem uma passadinha lá¡ no meu novo cantinho para ver o que ando aprontando!

Beijos e nos vemos lá¡! ;*

Retomando

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Oi gente! Como vocês estão?

Em novembro vai fazer dois anos que escrevi um post aqui. De lá pra cá muita coisa aconteceu e sequer consigo lembrar o que me fez parar de escrever de fato. Houve uma questão de busca interior, somada à falta de tempo, muito trabalho, e tantas coisas que foram acontecendo.

Algumas coisas foram muito boas, passando por viagens inesquecíveis, encontrar alguém para amar, livros que li, coisas muito positivas… e outras coisas foram tristes e traumáticas como a doença e perda da minha mãe no início deste ano.

Todas experiências que fazem parte de quem sou hoje. E uma nova busca começou. Algumas coisas grandes que nos acontecem servem como divisores de águas nas nossas vidas. às vezes nos custam muito além do que nos julgamos capazes de suportar. Mas assim é que a vida movimenta as coisas em prol de nossa evolução. Pelo amor e pela dor.

E assim mais uma nova fase chega. A escrita vai ser retomada em breve e terei bastante novidades para compartilhar com vocês. Uma nova jornada. Sempre acompanhada de uma bela xícara de chá pra aquecer o coração.

Beijos e obrigada pela paciência durante esse hiatus. 😉

A importância da autoaceitação

"Não se esqueça de se apaixonar por você mesma (o) antes" - Carrie Bradshaw  Imagem encontrada no Pinteret.
“Não se esqueça de se apaixonar por você mesma (o) antes” – Carrie Bradshaw
Imagem encontrada no Pinteret.

 

Há alguns dias que venho tentado escrever sobre a importância da autoaceitação. Há dias que algo acabava por me impedir. Porém hoje, ao final da aula de Yoga, durante o shavasana (postura meditativa final), a professora Marcela falou sobre a coragem necessária para se aceitar.  Então não tive dúvidas, vi que eu realmente precisava escrever sobre o tema

Sim, a professora tem toda razão. Para aceitar-nos como somos, com todos os defeitos e qualidades, é preciso coragem.

Por mais simples que a ideia pareça, a execução da mesma é dificílima. Quantos de nós podemos dizer que amamos a nós mesmos? De verdade? Aquele papo de que é preciso amar a si mesmo antes de amarmos alguém, quantas vezes você já ouviu? Parece um papo super cliché, mas… você se ama? Você se aceita de verdade? Você se perdoa pelos seus defeitos? Se você não consegue sequer perdoar a si mesmo, como aceitar o defeito dos outros?

Todos, sem exceção, temos defeitos sim. Todos cometemos erros, às vezes erros diários. Às vezes até os repetimos. Mas temos qualidades maravilhosas guardadas no coração. Algumas escondidas como um tesouro, algumas que simplesmente se mostram no seu jeito de ser…

Pare e pense nas coisas bacanas que já realizou. Não precisa ser nada grandioso. Um simples sorriso que você causou em alguém, uma energia boa que você passou adiante, um coração aquecido por alguma palavra doce sua, um “bom dia” sincero… coisas pequenas assim, que, para você mesmo talvez não faça a menor diferença, mas pode ter tornado melhor o dia de outra pessoa.

Tem dias que a gente simplesmente não se aceita. Com a autoestima lá no pé, acontece de nos acharmos um pouco acima do peso, acharmos que o cabelo não tá legal, que aquela roupa escolhida tá feia, que tudo e qualquer coisa incomoda.

Nunca estamos satisfeitos. Nunca estamos serenos. Estamos sempre preocupados com as aparências, com o que os outros vão pensar, com o padrão de beleza que a mídia impõe. Nos permitimos chatear porque aquele cara de quem a gente gosta bancou o babaca e disse algo pejorativo em relação a nós, ou qualquer coisa do gênero.

Nunca nos sentimos bons o suficiente por algum motivo, e, se pararmos para observar, geralmente o motivo é externo. Passamos a vida buscando a aceitação dos outros quando na verdade somos nós mesmos que não conseguimos ser indulgentes e amáveis com o que somos. Não enxergamos o quanto podemos ser maravilhosos e quanto tempo perdemos nos auto sabotando.

Olhe para você mesmo. Reflita. Respire fundo. Tome consciência do seu próprio ser. Confronte os seus defeitos com coragem e raciocine uma maneira de amenizá-los. Mas com carinho. Com o mesmo carinho que se corrige uma criança ou alguém que amamos muito. Depois pense nas qualidades que possui. Orgulhe-se de ser quem você é. Tenha a coragem de enxergar suas qualidades também e tenha a coragem de mostrar estas qualidades maravilhosas ao mundo. O que os outros vão pensar não importa. Neste momento o que importa é você mesmo. Emane para o mundo os tesouros incríveis que carrega no coração, se abra. Permita-se.

Dá medo, eu sei. Também tenho esse mesmo medo. Temos medo de nos ferir e tudo bem sentir isto. Mas é preciso seguir adiante com coragem e amor. A vida é curta e merece ser vivida com todos os sabores e dessabores que oferece.

Aceite-se. Quando você se aceita tudo fica mais leve, mais fácil, mais gostoso. Ria de si mesmo! Vá se deitar todas as noites com a certeza de que, por aquele dia, fez o melhor que pôde. E no dia seguinte quando acordar, tente outra vez. O amor é um exercício diário.

Ame-se. 🙂

 

 

Música : Mélanie Laurant

Recentemente retomei meus estudos da língua francesa e ando fazendo bastante pesquisa sobre a cultura, incluindo a música contemporânea. Foi durante as minhas pesquisas, procurando algo legal pra ouvir – e aprender francês ao mesmo tempo – que descobri que Mélanie Laurent, além de atriz, é também cantora.

Vocês vão reconhece-la do filme Bastardos Inglórios, onde ela fazia a personagem Shosanna e mais recentemente como Alma de Truque de Mestre.

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A moça tem músicas muito bonitinhas. Sua voz é doce e melodiosa, e as canções são suaves, sendo algumas mais lentas e outras mais alegres. Ela canta em francês e em inglês também.

Abaixo algumas músicas para vocês conhecerem. 🙂

Obrigada :)

 

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Gratidão. É com este sentimento que inicio mais um ano de minha vida. Agradeço cada lembrança, cada mensagem de carinho, cada voto de felicidades no dia do meu aniversário, cada vibração positiva que me foi enviada. Mas não apenas isso.
A gratidão é por cada pessoa que conheci em minha vida. Cada uma delas. Por aquelas que continuam caminhando ao meu lado, e por aquelas que, por alguma razão, já não fazem mais parte da minha vida. Pois cada pessoa traz consigo um aprendizado.
As gargalhadas, os abraços, os momentos felizes, o apoio, o carinho, tudo o que deixa o coração leve deve ser guardado com carinho. As boas lembranças tem um lugar especial.
As tristezas, os desentendimentos, os choros, o coração apertado, as dificuldades. Por estes sou especialmente grata, pois são as dificuldades que ensinam, que nos fazem crescer. Que nos mostram nossos erros e como podemos nos tornar melhores pessoas. Evolução. É para isso que estamos aqui.
Então sou grata. Por tudo e por todos. A todos vocês que fizeram e, principalmente, os que ainda fazem a minha vida mais rica, um muitíssimo obrigada.
E este ano que se inicia, mais um capítulo da minha vida a ser escrito, seja bem vindo. O inicio com gratidão, coração limpo, deixando todas as bagagens ruins (que apenas servem para nos atrasar) para trás, ansiosa por preencher as páginas deste novo capítulo com as coisas mais lindas, positivas e felizes.
Obrigada, mil vezes obrigada, a cada um de vocês, por todas as experiências vividas. Aos amigos, um muitíssimo obrigada especial pelo carinho e apoio de sempre. Amo vocês!
Many thanks to all my dearest friends for the good vibes, support, and caring! Grazie a tutti! Merci beaucoup!

Você se respeita?

Tanto se fala hoje em dia sobre amor próprio e autoestima. Mas sabemos efetivamente o que é isto? Me parece ser mais fácil falar do que agir de acordo. Acredito que amor próprio tem a ver primeiramente com respeito. Respeitar a si mesmo. Pois só respeitando a si mesmo é possível respeitar verdadeiramente o seu próximo. Amar envolve respeito.

Mas… Você se respeita? Respeitar-se, para mim, significa não se violentar. Saber dizer não quando necessário e deixar o sim vir quando se tem vontade verdadeiramente.

Para não parecermos egoístas tendemos a dizer sim e a fazer coisas contra a vontade só para agradar o próximo. Pois parece que alguém inventou que para sermos aceitos e amados precisamos sempre dizer sim. E, com nossas inseguranças, é o que acabamos fazendo.

O que não sabemos (ou nos esquecemos) é que não é necessário nos violentarmos para sermos legais. Os melhores atos de afeto são aqueles espontâneos que surpreendem o outro e nos deixa de coração leve.

Você não precisa ir naquela festa que você sabe que só vai tocar funk (se você odeia funk) só porque seu amigo pediu. Ele pode ir com outra pessoa. Você não precisa se submeter a uma situação que te parece desagradável, na qual você sabe que não vai se sentir bem, só para agradar alguém, para não perder seu afeto.

Você pode dizer que não gostou de alguma coisa. Isto não te faz imperfeito, isto não te faz uma pessoa ruim. E se alguém se afastar de você porque você disse não a um capricho, ou a uma situação que te desagradou, ou um combinado desfeito, ou a uma clara falta de consideração, então esta pessoa não respeita você. E quem não te respeita não merece estar na sua vida.

Então, pelo amor de Deus, jamais se anule por quem quer que seja. Seja você mesmo. Se respeite. Todos somos dignos de amor. A começar pelo próprio. Quem ama, respeita. Quem se ama, se respeita.

E a diva Madonna já ensinou isso tem um tempinho. 🙂

Express Yourself!

“Você merece o melhor na vida
Então se essa não é a hora, então parta pra outra
Segunda melhor nunca é suficiente
Você ficará muito melhor sozinha.”

Come on girls
Do you believe in love?
‘Cause I got something to say about it
And it goes something like this

Don’t go for second best baby
Put your love to the test
You know, you know, you’ve got to
Make him express how he feels
And maybe then you’ll know your love is real

You don’t need diamond rings
Or eighteen karat gold
Fancy cars that go very fast
You know they never last, no, no
What you need is a big strong hand
To lift you to your higher ground
Make you feel like a queen on a throne
Make him love you till you can’t come down
[You’ll never come down]

Long stem roses are the way to your heart
But he needs to start with your head
Satin sheets are very romantic
What happens when you’re not in bed
You deserve the best in life
So if the time isn’t right then move on
Second best is never enough
You’ll do much better baby on your own
[Baby on your own]

Express yourself
[You’ve got to make him]
Express himself
Hey, hey, hey, hey
So if you want it right now, make him show you how
Express what he’s got, oh baby ready or not

And when you’re gone he might regret it
Think about the love he once had
Try to carry on, but he just won’t get it
He’ll be back on his knees

To express himself
[You’ve got to make him]
Express himself
Hey hey

What you need is a big strong hand
To lift you to your higher ground
Make you feel like a queen on a throne
Make him love you till you can’t come down
[You’ll never come down]

So please

Express yourself
[You’ve got to make him]
Express himself
Hey, hey, hey, hey
So if you want it right now, make him show you how
Express what he’s got, oh baby ready or not
Express yourself
[You’ve got to make him]
So you can respect yourself
Hey, hey
So if you want it right now, then make him show you how
Express what he’s got, oh baby ready or not

Oração

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Vejo a vida como uma grande escola. Todas as situações que passamos nos servem de aprendizado numa maior ou menor escala. Mesmo que não compreendamos os acontecimentos tão logo ocorram, sempre chega o dia em que os porquês se fazem claros, e, geralmente, é quando algo já não tem a importância de outrora.Como se a vida cuidasse para não soframos mais do que o necessário no momento de uma decepção, por exemplo.

A vida pode não parecer justa muitas vezes. E muitas vezes ela não é. Mas o tempo é sábio, e acaba por nos trazer os esclarecimentos necessários. Muitos eu ainda não encontrei, mas sigo com fé de que nada terá sido em vão.

O negócio é deixar a vida fluir e trazer surpresas agradáveis. Elas ocorrem, acreditem em mim. Muitas vezes sequer as percebemos de cara, pois estamos demasiadamente preocupados, apegados a coisas que se foram tentando entender os porquês. É preciso ter cuidado para não acabar deixando algo de incrivelmente bom escapar.
E assim vou seguindo com parcimônia, observando, refletindo, absorvendo aos poucos, tentando não criar expectativas em demasia, procurando me centrar, tentando ser paciente, cuidando de mim, relaxando, e abrindo o coração para receber de braços abertos as coisas lindas que estão por vir.
E que a fé me guie. E que meu anjo da guarda me proteja. Amém.

Das lições da vida

Nos últimos tempos eu tenho vivido um período bastante… emocional, digamos assim. A busca de um amor. Sim, quem não sonha em amar e ser amado?
Uma coisa que deveria ser simples e natural envolve uma série de complicações que nós mesmos nos impomos para que algo seja socialmente aceitável antes de qualquer coisa para depois ser aceito no coração. Tantas complicações tolas, tantos esforços em vão, tempo investido, carinho dedicado, e no fim, tempo perdido.
Mas é preciso tirar uma lição de tudo que nos acontece por mais dolorido que seja. Mas a verdade é que quando conseguimos tirar uma lição, o sofrimento diminui, fica tudo bem mais leve, mais sereno.
O que aprendi? Aprendi que não importa o que você faça, não importa o quanto você se dedique. Você não pode fazer alguém te amar. Por maior que seja o bem que você queira a esta pessoa. Por mais que você se sinta bem ao lado dela e ela pareça se sentir bem ao seu lado, você simplesmente não pode obrigar ninguém a te amar e a continuar te acompanhando pelos caminhos da vida. Não pode obrigar ninguém a faze parte dos seus mais doces sonhos.
O coração quer o que o coração quer.
Que cada um encontre o que deseja.
Que cada sonho se realize.
E o que resta é a saudade.
(que um dia também irá desvanecer)

Dos pequenos prazeres da vida.

Há algo de clichê neste texto. Um quê de “já vi esse filme”. Mas sempre vale a pena lembrar o óbvio que tantas vezes fica esquecido pelos mais diversos motivos. Eu precisei parar, respirar fundo e relaxar aos pés de uma linda cachoeira para me lembrar dos simples e pequenos prazeres da vida. Mas quando é que terei outra oportunidade como essa? Então é melhor que registre aqui minhas ideias.

Meus simples e pequenos prazeres, mas que sem eles a vida de nada vale.
Abraço. O quão delicioso é um abraço, principalmente de quem se ama… Quem me dera poder abraçar as pessoas que amo umas 500 vezes por dia. É de graça, é aconchegante, e quanto mais apertado, mais amor, mais calor e mais alivio se sente. 

Cheiro de mato e terra molhada. É impressionante como esses cheiros fazem com que eu sinta uma paz indescritível, me conecte comigo mesma. Deve ter a ver com uma infância onde meu pai sempre nos arrastava pro contato coma natureza, subindo montanha, enfiando o carro no meio do barro, e depois a pé sentindo o cheiro da natureza. 

Chuva. Barulhento bom. E mais uma vez o cheiro da terra molhada. Uma sensação gostosa, principalmente quando se está aconchegada no lar. O que me leva a pensar nas pessoas que não tem um teto pra se proteger das tempestades. E me leva a agradecer mais uma vez pela sorte que tenho.

Cheirinho de café e bolo saindo do forno. Do café, pra mim, só o cheiro. O bolo, se for de chocolate, ainda melhor. 😉

Calor do sol aquecendo suavemente a pele. Sabe quando você sai de um ambiente super frio e o sol toca a sua pele de mansinho, te aquecendo devagarinho, como se fizesse um carinho em você? Eu simplesmente amo quando isso acontece.

Pés na areia. Dispensa explicações, mais clichê impossível, mas todo mundo concorda. Quem não concorda, bom sujeito não é. 😉

Dias bonitos de sol e céu azul. Quantas vezes esquecemos de apreciar isso?

O exato momento em que você se acostuma com a água gelada. Sabe quando você entra de mansinho no mar (ou numa cachoeira) com aquele medinho de água fria, até que você toma coragem e mergulha de uma vez? Demora um pouquinho até você se acostumar, não vê a hora de sair dali, mas vem aquele segundo quando você se acostuma com a temperatura e se sente confortável. Mais um pequeno prazer.

Ver o sol se pôr. Sim, tem muito doido que aplaude aquilo, e a maioria julga o ato, mas é preciso concordar que é algo lindo de se ver. 

Observar o luar, apreciar as estrelas. Mais um incrível clichê. Mas tão lindo, quem pode me julgar?

Tem muito mais coisas que eu poderia seguir citando. E todas são gratuitas. Porque as melhores e mais ricas coisas da vida são. De nada, absolutamente nada, adiantam riquezas materiais, carro do ano, roupas caras, perfume importado, ser o rei do camarote (ou a rainha), se você não tem com quem dividir bons momentos, se você não sabe apreciar as belas coisas, se você não tem quem abraçar.

Não me entendam mal, conforto e segurança são sim importantes, e merecemos o melhor se for conseguido por nosso próprio esforço. Pois eis um outro prazer: a conquista de algo pelo que se lutou e trabalhou para ter. Mas este é assunto para outro texto, uma outra hora. 

Neste momento, eu apenas os convido a parar um segundo e sentir. Apreciar as pequenas coisas que os fazem feliz. Pois no final das contas, são elas que de fato importam. 😉

Sobre minha experiência pessoal e a necessidade de lutarmos sim por melhorias.

Eu tenho adiado escrever aqui sobre a experiência que vivi em abril deste ano. Como já mencionei antes, passei uns dias internada por causa de uma celulite facial que, na pior das hipóteses, poderia ter me tirado a vida. Já falei sobre ela aqui neste link, caso vocês queiram saber um pouco mais sobre a doença, mas este post é mais especificamente sobre as condições do hospital em que fiquei internada. Acho que o momento no país é de protesto e reivindicações e quero tentar contribuir um pouco com isso, mesmo que apenas escrevendo sobre uma de nossas maiores necessidades, a saúde.

Começo dizendo que a equipe médica era excelente. A junta médica que cuidou de mim com todo o esmero do mundo, era quase uma equipe do estilo do Dr. House. Extremamente profissionais e preocupados. Assim como grande parte da equipe de enfermagem. Vocês devem estar pensando: “Olha lá, a riquinha falando do hospital particular.” Ledo engano, meus caros. O hospital que fiquei era público. Eu começo ressaltando o lado bom, que é justamente da equipe de profissionais que cuidaram de mim. Agora vem todo o lado ruim da coisa.

Os 8 dias em que fiquei internada foram muito difíceis. Muito mesmo. Eu tive sorte de ter sido internada às pressas e de não ter ficado sabe Deus lá quanto tempo esperando em uma fila. Eu fui colocada numa das melhores enfermarias do hospital, já que a Dermato não tem uma enfermaria, me colocaram na da Oftalmo que tem a fama de ser a mais tranquila e limpa… e ainda assim… A infra estrutura era algo triste de se ver. Era visível como todos os profissionais la se esforçavam o máximo pra que tudo fosse o melhor possível, mas falta de tudo. Pra começar, não tem álcool gel em nenhum dos dispensers dos corredores para que visitantes e pacientes pudessem limpar as mãos.

Os lençóis eram trocados diariamente, assim como nossos pijamas, mas era tudo remendado ou esburacado. Tudo limpíssimo, mas ainda assim…

O drama maior era o banheiro. Havia apenas um banheiro unissex que não era de uso exclusivo dos pacientes. Qualquer um podia entrar. E nem todos, infelizmente, tem as noções básicas de higiene. Tomar banho era um problema, um drama a parte, pois qualquer pessoa poderia entrar a qualquer momento. Por sorte, consegui que minha mãe me acompanhasse quase que o tempo todo que estive internada. Senão, honestamente não sei como teria me virado sozinha. Chuveiro, torneiras, vasos sanitários, tudo quebrado, vazando, e mesmo que o banheiro fosse todo lavado todos os dias pela manhã, sempre acabava ficando nojento ao longo do dia. Mas como exigir higiene de uma população que não tem sequer acesso à educação? Sem educação, não se tem higiene. Sem higiene, não há saúde que resista. E o cheiro da tubulação antiga era insuportável. Infiltrações, mofo, vazamentos, buracos no teto. Era essas as condições. E haviam baratas. Um verdadeiro pesadelo.

Apesar de todos esses problemas, fui bem cuidada. Apesar da péssima hotelaria, os médicos foram impecáveis. Passavam para me ver todos os dias pela manhã e às vezes no final da tarde. Os enfermeiros mediam minha pressão e temperatura inúmeras vezes ao dia, e nutricionistas passavam todos os dias para saber se eu estava conseguindo comer direito. Foi engraçado perceber como mudaram a minha alimentação durante o tempo que estive lá. Antes do exame de sangue a comida era aquela bem de hospital mesmo: legumes cozidos pouco sal etc, coisas com as quais eu estou acostumada pois gosto de seguir uma dieta saudável.  Depois do resultado dos exames (que graças a Deus estavam ótimos =)) eles passaram a me dar de tudo pra comer, até mesmo frituras.

Enfim, apesar dos problemas gritantes na infra estrutura, os profissionais são excelentes e hoje me encontro mais saudável do que nunca. O que está muito doente é o nosso sistema de educação e saúde. Pois a maioria das pessoas que estavam naquela enfermaria, estavam ali por alguma cirurgia feita nos olhos. E são cirurgias rápidas, e que as pessoas recebiam alta no dia seguinte. Mas depois voltavam pois, na sua falta de noções básicas de higiene, arrumavam algum tipo de infecção e complicação pós-operatória nos olhos. Por não lavarem as mãos depois de usarem o banheiro e depois levarem as mãos aos olhos. Eu mesma vi. Tentava ajudar, dar toques, mas é muito complicado.

Temos que protestar sim. Pagamos impostos absurdamente caros para que o povo tenha direito a educação e saúde. E não temos nada. Tudo está absurdamente sucateado. Somos tratados como lixo. Me entristeço toda vez que lembro o que passei. Mas me entristeço mais ainda quando lembro que tem coisa muito pior por aí. Que tem muita gente passando por coisas muito mais graves que eu passei e que não tiveram a mesma sorte que eu. Sim, o meu caso foi grave, mas correu tudo bem pois fui socorrida rápido. E de pensar que tem tanta gente por aí nas piores condições, condições desumanas, morrendo à míngua nas filas dos hospitais, isso me faz chorar.

Obrigada a vocês que tem protestado, lutado, levado tiros de bala de borracha sem merecer, apenas por lutar por um país melhor. Obrigada de coração. A gente precisa de verdade de muitas mudanças e melhorias. Meu mais profundo e sincero obrigada a vocês. Mas que fique claro que este meu agradecimento não se estende àqueles que se aproveitam das manifestações para propagarem a vandalização. Sou contra e sempre serei contra qualquer tipo de violência.